Entrevista – Amery Smith

Depois do papo com o Louchi Mayorga, é a vez de Amery Smith aparecer por aqui em outra entrevista exclusiva. Basicamente, o mesmo esquema.  Achei o cara no Myspace (bendito seja!) e propus a conversa. A partir daí, trocamos quatro emails desde a semana passada, com o ex-batera do ST sempre muito camarada!

Como o chapa Mayorga, Smith segue na California, trabalhando como técnico de bateria — já trampou com Beastie Boys, por exemplo. Recentemente, embarcou no projeto do ex-baixista pra formar um “quase” Suicidal,  o AgainST, contando também com Grant Estes.

Amery Smith, foto recente

Amery Smith, foto recente

Foram cerca de três anos com o grupo, entre 1983 e 85. Período em que ele gravou o primeiro e clássicaço álbum. Ao sair da banda, foi substituído por R.J. Herrera.

Na entrevista, Smith deu uma geral caprichada em seu tempo de Cyco. Como assumiu as baquetas, do grupo a primeira turnê pela América, gangues, violência, relação com ex e atuais membros, skate, Dogtown…

Mais uma vez, optei por publicar as respostas em português (tradução livre!) e inglês.

Como outros Cycos, você é local de Venice?
Eu sou de Praia Del Rey. Meus pais viveram em Venice e os dois se formaram na Venice High School nos anos 50. Eu passei meu primeiro ano de vida em Venice, então nos mudamos umas três milhas para o sul, para Praia Del Rey, onde eu vivi com meu pai depois de ele se separar da minha mãe. Minha mãe permaneceu na casa de Venice.

I am from Playa Del Rey. My mother and father lived in Venice and both went to and graduated Venice High School in the 50′s. I spent the first year of my life in Venice, then moved with the family about three miles south, to Playa del Rey, where I lived with my father after my parents split up. My mother stayed at the house in Venice.

Como você entrou para o Suicidal?
O Neighborhood Watch tocou em uma festa de quintal em Praia Del Rey, e eles tinham Suicidal/Venice seguidores. Eu tinha uma banda nessa época e abrimos para o NW nessa festa. No dia seguinte, eu recebi uma ligação do Mike Muir me perguntando se eu gostaria de experimentar com o ST. E eu aceitei.

Neighborhood Watch played a backyard party at the house in Playa Del Rey and they had a Suicidal/Venice following. I had a band at the time and we opened for Neighborhood Watch at the party. The next day I got a phone call from Mike Muir asking me if I wanted to try out for Suicidal Tendencies. And I said yes.

Com o ST, início dos anos 80

Com o ST, início dos anos 80

Qual o significado de Awol? (Ele é conhecido por Amery Awol Smith).
É um apelido que o DJ Hurricane dos Beastie Boys me deu no início dos anos 90. Eu nunca estava onde era para eu ir. Então Cane apenas disse que eu era awol. (Com a colaboração do camarada Renato Puppi, segue o significado de Awol: “absent without leaving, é quando o cara some sem se desligar formalmente de algo, ppte no exército”).

A nickname DJ Hurricane from the Beastie Boys gave me in the early 90′s. I was never where I was supposed to be. So Cane just said I was awol.

O ST sempre foi associado às gangues de Venice. Especialmente, por conta de um boné que você usou no encarte do primeiro álbum, com a inscrição V13 (da gangue Venice 13). Em algum momento, houve uma relação direta?
O boné pertencia ao irmão do Louichi. Ele pode explicar melhor essa história. (nota: na entrevista ao blog, Mayorga revela que seu irmão era integrante da gangue).

The hat belonged to Louichi’s brother. Louichi can elaborate on that story.

amery50

Quem teve a ideia de se pendurar de ponta cabeça na capa do primeiro álbum? Aquela estrutura ainda existe?
Não me lembro de quem foi essa ideia. O globo não existe mais, ele foi tirado há uns 10 anos, mais ou menos.

I can’t remember who’s idea it was. The globe does not exist anymore, it has been gone for ten years or so.

O fotógrafo Glen Friedman fez algumas fotos clássicas perto de sua casa em Playa Del Rey. Onde era essa casa? Você ainda mora lá?

Adoro essa foto. Essa casa é a mesma onde o Neighborhood Watch tocou na festa de quintal que eu mencionei antes. É a casa do meu pai, Valor, ela ainda está lá e ele continua morando nela. É a mesma onde o Suicidal Tendencies ia praticar, e meu pai nos deixava usar seu 1972 4 Door Chevrolet Pick-Up Truck com uma barraca (?) para a primeira turnê pelos Estados Unidos, creio que em 1983. Com certeza nós éramos todos adolescentes nesse tempo. Eu era.

Foto hitórica. Nelson, Muir, Mayorga e Smith

Foto hitórica. Nelson, Muir, Mayorga e Smith

I love that Picture. That house is in Playa del Rey, that is the same house where Neighborhood Watch played the backyard party I mentioned earlier. It is my fathers house. The house is still there, and my father, Valor, still lives there. This is the same house where Suicidal Tendencies would practice, and my Father let us use his 1972 4 Door Chevrolet Pick-Up Truck with a camper on it to do the first ever Suicidal Tendencies US Tour, 1983 I think. Pretty sure we were all still just teenagers at the time. I know I was.

Qual foi melhor momento que você viveu com o ST? E o pior?
O melhor para mim foi tocar com o Minor Threat no Vale de Los Angeles, começo dos anos 80. O pior foi a violência.

The best for me was playing a show with Minor Threat out in the Valley of Los Angeles in the early 80′s. The worst was the violence.

Que tipo de violência?
Era apenas a violência em geral, como parte de toda uma cena. Não era apenas em Venice/Los Angeles, mas no país, se não no mundo. Eu realmente não via a sua necessidade e ainda não vejo. Eu entendo que os garotos serão garotos, e aparecer em grupo, vindo para uma “cena”, é uma forma segura, quando todos estão olhando para você de lado, e querendo saber de onde você é, ou quem você anda. Mas é isso que é escutar música? Para muitos garotos, tenho certeza, era isso, e isso é completamente derrent (?) para a cena local, desliga geral. Por exemplo, por que você teria de se preocupar quando vai ver uma de suas bandas favoritas?

It was just the violence in general as part of the entire scene. It was not just in Venice/Los Angeles, but nation, if not world wide. I just did not really see its necessity and I still don’t.  I understand that kids will be kids, and being down with a set is a form of security in numbers when you are coming onto a scene and when everyone is looking at you sideways and wondering where you are from, or who you are down with but is that really what enjoying music is all about? For a lot of kids I am sure, this was, and is a complete deterrent to their local music scene and a turn off in general. For example, why would you want to have to worry about getting beat up if you had plans to go see one of your favorite bands?

Você comandou a bateria no disco de estreia. Como foi a gravação desse álbum clássico?
Nós estávamos fazendo muitos shows na época e praticando bastante. Penso que estávamos bem de saco cheio uns dos outros, isso pode explicar um tanto da energia. Lembre-se, estamos falando de um bando de adolescentes que não tocava há muito tempo e a nossa filosofia era “vamos pirar nisso”, não era para ser perfeito, nunca foi. A gente executava as músicas de forma diferente a cada vez. O que era ótimo, pois nos dava uma sensação de liberdade. A gente praticava na seqüência do disco, então o que você ouve era o que tocávamos e gravamos no estúdio. Nós não tínhamos muito dinheiro para gravar então todas as músicas foram feitas em uma noite, sem computadores, sem Pro Tools, Digital Performer, Cubase, Logic ou Reason, não teve edição. Foi tocado ao vivo, todos juntos na mesma sala, ao mesmo tempo. Eu acho que talvez Mike e Grant voltaram para fazer overdubs, duplicar e solos. E nosso dia seguinte, eu lembro que eu tinha de ir trabalhar cedo, então eu estava apressado para ir embora. Gravar um disco não era a prioridade no momento. Nós éramos apenas alguns garotos fazendo um disco punk.

O primeiro disco. Capa com os integrantes pendurados em um globo na Praia Del Rey

O primeiro disco. Capa com os integrantes pendurados em um globo na Praia Del Rey

We were playing a lot of shows at the time and practicing a lot so I think we were pretty sick of each other, that might explain some of the energy. Remember, we are talking about a bunch of teenagers who had not been playing very long at the time and the philosophy was “just get mad at it” it was not going to be perfect, it never was, and we usually played the songs a little different every time, which was great because it gave us a sense of freedom. We practiced in the sequence of the record, so what you hear on the record is the order that we played them and recorded them in the studio. We did not have much money for recording so all of the music was done in one night, no computers, no Pro Tools or Digital Performer or Cubase or Logic or Reason, there were NO edits, it was all played live, all of us in the same room playing together at the same time. I think maybe Mike and Grant went back for overdubs, doubling and solos and mixing the next day ? I remember I had to go to work early in the morning so I was in a hurry to get out of there, making that record was not a priority at the time. We were just some kids making a punk record.

Qual a sua música preferida? Por que?
Subliminal. Basta ouvi-la.

Subliminal. Just listen to it.

Por que você deixou o Suicidal.
Tinha chegado o momento…

It was time…

Atualmente, você tem alguma relação com Mike Muir ou outro membro ou ex-membro da banda?
Há alguns anos, quando o Ric Clayton (extraordinário artista do ST) ficou doente, eu mandei um email para o Mike para ver se ele queria fazer alguma coisa para ajudar a levantar algum dinheiro para ele. E ele nunca me respondeu. Foi tão chato. Eu saio com todos os outros, Louichi, Grant, Rocky, Mike Clark, Ralph (Herrera). Eu vejo Robert (Trujillo) socialmente de tempo em tempo e ele é uma grande pessoa. Eu não tenho visto Jon por algum tempo, mas ouvi que ele está pela área.

A couple of years ago, when Ric Clayton (Suicidal artist extraordinaire) got sick, I sent Mike an email to see if he wanted to do something to help raise some money for Ric. And he never got back to me, so I guess, I dont? Too bad. I am chill with everyone else, Louichi, Grant, Rocky, Mike Clark, Ralph. I see Robert socially from time to time and he is a great person. I have not seen Jon for a while but I hear he is around.

Recentemente, você, Grant Estes e Louichi Mayorga formaram o AgainST. Como foi essa experiência?
Foi muito divertido, e eu estou na expectativa de fazer mais.

It was fun, and I am looking forward to doing more.

E a experiência com os Beastie Boys?
Foi diversão por pouco tempo e depois não foi mais.

It was fun for a minute, and then not so fun.

O que você faz atualmente?
Eu tenho 45 anos e tenho boa certeza que quando estava na banda eu era o mais jovem e o único que realmente andava de skate. Além de fazer música quando o tempo permite, eu trabalho fazendo turnês como técnico de bateria. De vez em quando, trabalho como produtor. Eu trabalhei para Rage Against the Machine, One Day As A Lion, Queens of the Stone Age, Jimmy Eat World, The Mars Volta, Green Day e alguns oturos…

I am 45 years old. I am pretty sure that when I was in the band that I the youngest of the ST. And the only member of the band who actually actively rode a skateboard. Besides making music when time allows, I work with touring groups as a drum tech. Sometimes I work as a production manager. I have worked with Rage Against the Machine, One Day As A Lion, Queens of the Stone Age, Jimmy Eat World, The Mars Volta, Green Day and some others…

Continua andando de skate?
Sim, continuo! Mas estou velho e sou um Americano, então não tenho seguro de saúde e preciso tomar cuidado. Não sou bom, não pratico vertical ou qualquer coisa assim, mas adoro! E sim, havia muitos skatistas em volta na época, era um período de transição, os skateparks foram fechando, o street, as piscinas e rampas estavam em voga. Havia um quart pipe no beco próximo da casa dos meus pais em Playa Del Rey, não era propriedade de ninguém, então vários skatistas, o tempo inteiro, estavam por perto. Jay Adams, Tony Alva, Christian Hosoi e alguns da segunda geração de Dogtown, como Scott Oster e Aaron Murray, skatistas talentosos e boas pessoas.  Isso era parte de um estilo de vida.

Yeah, I still skate. But I am old and I am American so I do not have health insurance and I need to be careful. I am no good, no vert or anything like that, but I love it. And yeah, there were a lot of skaters around at the time, it was a transitional period for skaters, the Skateparks were closing down and street skating and backyard pools and ramps were in in vogue. There was a quarter pipe in the alley near my fathers joint in Playa del Rey, it was just in an alley, not on anybody’s property so there were people skating it all the time, Jay Adams was around, Tony Alva, Christian Hosoi and a couple of the second wave Dog Town riders, Scott Oster and Aaron Murray really talented riders and good people, It was indeed part of the lifestyle.

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12 Comentários

Arquivado em ST for Life

12 Respostas para “Entrevista – Amery Smith

  1. Lucas

    parabens pelo trampo
    otima entrevista novamente!
    Suicidal 4 life!

  2. dudumunhoz

    Parabéns ao André! Entrevista histórica!
    Como é bom ver um jornalista de verdade escrevendo sobre o nosso querido punk rock!

    And remember… cool is only 3 letters away from fool!

  3. URRA…
    Fino!!!
    O melhor é ver q esses caras além de terem sido parte de uma coisa grandiosa… são pessoas normais como qualquer um de nós, meros seres humanos e estavam no lugar certo, na hora certo fazendo a coisa certa.
    Bom trabalho, Pugliesi
    SxTx 4 Life!!!

  4. Muito bom cara, po legal mesmo estar conseguindo essas entrevistas com os caras.
    Fiquei de cara em saber dessa atitude do Muir, depois de ter lido a do Mayorga e agora de novo.
    Bom, nunca se sabe exatamente o que rola por trás de tudo isso…

    Valeus!

  5. lendo a entrevista fiquei com a sensação que o cara envelheveu com diginidade.

  6. Ótima entrevista!
    Blog de primeira!

    Vida longa ao blog!!!

    Salut
    Provos Brasil
    http://www.provosbrasil.blogspot.com/

  7. Thanx, man! Great job you’re doin, ya know.

  8. Yo habla poquito espan’ol.
    I am Jon Nelson in the pictures of Suicidal. I know Mike Muir doesn’t say much about me, but he & I get along okay. I am still very good friends with Mike Clark and Louichi Mayorga. My new band is NASTY HABITS.

  9. Yo habla poquito espan’ol.
    My name is Jon Nelson. I am in the pictures you have of Suicidal, but there is no mention of me here. I know Mike Muir doesn’t say much about me, but he and I get along okay. I am still very good friends with Mike Clark & Louichi Mayorga. I have an interview up for my new band, NASTY HABITS on http://www.youtube.com/DeederDeets.

  10. Marcelo Gomes

    Vixe quem é o cara que escreveu o coment acima?????????????????????????????????
    Jon Nelson?
    nossa!
    muito boa a entrevista e o cara anda de skate AINDA!
    Quero ser como ele!

  11. I really enjoy the interview with Amery Smith. He is wonderful to work with. This is truly a comprehensive site dedicated to what is important in music history. Thanx.

  12. Pingback: ST Tour – Streets of Venice « SUICIDAL MANIAC

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