Entrevista – Jon Nelson

Jon Nelson teve passagem curta pelo Suicidal. Assumiu a guitarra do grupo, por pouco tempo, entre 1983 e 84. Mesmo assim, construiu uma imagem muito forte entre os Cycos.

Boa parte desse fenômeno, pode ser creditada às lentes de Glen Friedman. O jornalista foi uma espécie de manager do ST nos “early years” e fez fotos fantásticas do então quarteto.

A principal delas, logo abaixo, parece resumir todo o universo da banda em seu início. Registro tantas vezes citado por aqui, mostra o ex-guitarrista em primeiro plano, ao lado de Mike Muir, Louichi Mayorga e Amery Smith. Tempos em que o ST buscava o seu espaço, partia para estrada e, principalmente, forjava uma identidade.

Nelson, em primeiro plano, Mike, Mayorga e Amery. Foto clássica de Glen Friedman

Nelson, Muir, Mayorga e Smith. Foto clássica de Glen Friedman

Como já contei pra vocês, nesta entrevista eu não precisei correr atrás – diferentemente do que rolou com Mayorga, Smith, Battson e Clark, os outros Cycos enquadrados.

Um dia desses, Nelson pintou pelo blog, após ter recebido a indicação de  um amigo. Naturalmente, aparição que foi motivo de grande alegria e orgulho para mim.

Logo o chamei por email e ele topou prontamente o papo. As respostas vocês conferem abaixo, em tradução livre do amigo da casa Renato Puppi. Mais de 25 anos depois, um  apanhado bacana sobre a época de Suicidal, os melhores e piores momentos com a banda e os dias atuais.

Como a maioria dos Cycos, você é local de Venice?
Sim. Nasci em Santa Monica, mas eu matava aula e ia para Venice sempre e conhecia todo mundo lá. Cresci em Culver City, que fica a uns 20 minutos de Venice e depois numa região perto de Hollywood, outro lugar em que eu circulei muito enquanto crescia. Conheço muita gente em Venice.

Yes. I was born in Santa Monica (right next to Venice). I used to ditch school and go to Venice beach all the time, growing up near by in Culver City, California. I grew up close to Hollywood also, so that’s another place I hung out a lot while growing up. I know pretty much everybody in Venice.

Você entrou para o Suicidal de que maneira?
Eu fui empresário e produtor de uma banda chamada Neighborhood Watch, que eram os “irmãos caçulas” do Suicidal Tendencies. Eles abriam shows do Suicidal, rolava um pogo violento e eu julgava o quanto uma banda era boa pela maldade do pogo durante os shows. Os do Suicidal eram sempre os mais violentos, daí eu convenci os caras que eles precisavam de um segundo guitarrista. Assim eu comecei a tocar guitarra base, mas antes da primeira turnê da época o Grant (Estes) saiu da banda e eu tive que aprender a fazer os solos dele.

I maneged & produced a band called Neighborhood Watch, who were like little brothers to Suicidal Tendencies. They openned for Suicidal once, and I liked the slam pit they had. I used to judge how good a band was by how mean their pit was. Suicidals’ pit was the roughest, so I told them they needed another guitar player. I was originally just going to play rhythm guitar, but at the time of the tour, Grant quit, and I learned all his solos.

Nelson nos tempos de Neigborhood Watch

Pouco antes de entrar para o Suicidal

O ST sempre foi associado às gangues de Venice. Em algum momento rolou uma relação direta?
Na última vez que eu abri a boca sobre isso o bicho pegou. Só posso falar da minha parte. Membros da minha família, do lado da minha mãe, tinham conexões com as gangues por vários anos, logo, eu sabia como a coisa funcionava quando tinha que lidar com esse assunto. Eu perdi um tio assassinado, atropelado 3 vezes seguidas.

The last time I openned my mouth about that, things got ugly. I can only speak for myself, really. Some my family on my mom’s side was connected to gangs over the years, so I knew how things worked, when it came to things like that. I lost an uncle who was murdered. Run over three times.

Qual o melhor momento que você viveu com a banda?
Alguns dos melhores momentos que eu tive com a banda passaram rápido. Eu lembro de um dia de folga durante uma turnê no Kansas em que a gente tocou numa festa numa casa. Outra vez a gente deu uma entrevista para a MTV pendurados de ponta cabeça. Maneiro. Eu tentava falar normalmente, enquanto eu sentia o sangue todo fluindo para a minha cabeça.

Some of the best moments I lived with the band went by very quickly. I remember us having a day off during a tour in Kansas and we played a house party. Another time I gave an interview to MTV hanging upside down. That was cool. I was talking normal, while blood was rushing straight to my head.

Descansando o esqueleto em turnê com a banda

Descansando o esqueleto em turnê

E o pior?
Quando eu falei demais quando devia ter ficado quieto, isso causou problemas para a banda e eles ficaram magoados comigo.

Probably when I openned my mouth when I should’ve kept it shut. It did some damage to the band. They were very upset with me.

A pergunta é meio desnecessária, mas… o fato de você tocar muitas vezes com os dentes é uma influência de Jimi Hendrix?
Sim, eu aprendi a tocar com os dentes com o Hendrix. Muita gente não acredita que ele tocava as cordas com os dentes, mas é verdade. Para falar a verdade, o Mike Clark toca com os dentes melhor que eu.

Yes. I learned to play with my teeth from Hendrix. Many don’t believe he actually plucked the strings with his teeth, but he did. Mike Clark plays with his teeth better than I do, actually.

Musicalmente, Hendrix influenciou de alguma forma o seu som no Suicidal?
Ainda bem que você perguntou especificamente sobre musica, porque eu peguei também várias outras influencias ruins do Hendrix. Muitas mulheres e drogas no decorrer dos anos. Você pode achar que foram só os solos, mas o Jimi Hendrix foi um dos melhores guitarristas base da historia. Ele sabia como deixar o som com muito mais “groove”.  Foi assim que eu escrevi “You got, I want”, que saiu no “Join the army”. Eu também escrevi “Human guineapig” e “Look up” que saíram na coletânea Welcome to Venice.

I’m glad you specified “In music”, because I picked up a lot of bad habits from Hendrix, as well. Many women & drugs over the years. You might think it was just in the solos, but Jimi Hendrix was probably one of the best rhythm guitarists that ever lived. He knew when to cool down and fall into a bitchen groove. That’s how I wrote “You got, I want”, that wound up on “Join the army”. I also wrote “Human guineapig” and “Look up” on the first Welcome to Venice compilation.

Degustando a guita ao lado de Mayorga e Smith, escondido na batera

Degustando a guita como o ídolo Hendrix, ao lado de Mayorga e Smith, escondido na batera

Por que você deixou a banda?
Eu queria contar as minhas próprias músicas, acabei tocando com os Red Hot Chili Peppers por um tempo curto, eu era bem amigo do Flea na época que ele tocava no Fear. Os Chili Peppers eram o projeto paralelo dele, alem disso ele tocava com varias outras bandas que estavam em LA na época (Circle jerks, P.I.L., Mick Jagger, etc.). Com isso eu aprendi o que precisava sobre como as coisas funcionam nesse meio e comecei uma “mega bandinha” chamada Screaming Fetus com o Amery Smith, Mike Clark e John Flitcraft (do Nieghborhood Watch). Glen Friedman conseguiu um contrato com a Profile records e mudou o nome da banda para The Brood.

I wanted to sing my own songs. I wound up playing with the Chili Peppers for a little while. I was good friends with Flea when he played in Fear. The Peppers was his side project while sitting in with everybody in town (Fear, Circle jerks, P.I.L., Mick Jagger, etc.). I had learned what I needed to know about the business, and started a little super group called Screaming Fetus with Amery Smith, Mike Clark, and John Flitcraft (from Nieghborhood Watch). Glen Friedman got me a record deal with Profile records and he changed the name to The Brood.

É verdade que você trocou os direitos autorais sobre War Inside My Head por uma guitarra Flying V?
Sim. Pouca gente sabia disso. Eram os meus direitos autorais de tudo que eu escrevi para o Suicidal. Eu pedi um pouco de dinheiro, só para formalizar e deixar a coisa mais legítima, não era nada demais. Acho que eles se espantaram, mas o Mike Muir sabia que eu queria aquela guitarra de volta, eu tinha vendido para ele durante uma turnê. Era um protótipo feito para o Eddie VanHalen por um amigo meu. O Eddie não quis. Eu fiquei com ela por alguns anos, parecia de mármore. Muito maneira.

Yes. Not too many people know about that. It was all copyrights to everything I wrote for the band. I asked for a little bit of money, just to make it legitimate, which was no problem. I think they were surprised, but Mike Muir knew I wanted my guitar back that I had sold him while we were on the road. It was a prototype made for Eddie VanHalen by a friend of mine. Eddie didn’t want it, tho. I had that thing for years. It looked like marble. Pretty cool.

Com Muir, em North Hollywood

Com Muir, em North Hollywood

Em uma entrevista sua no Youtube, você não comenta nada sobre o ST. Alguma mágoa com esse tempo?
Não, problema nenhum. Nós gravamos a entrevista uma tomada só e o Tony (Verley) esqueceu de me perguntar sobre o Suicidal e os Chili Peppers. Não tenho nenhum sentimento ruim dessa época.

No. No problem. We did it in one take, and Tony forgot to ask me about Suicidal and the Chili Peppers. I have no bad thoughts about the band at all, really.

Atualmente, você mantém algum relacionamento com o Muir ou outros membros e ex-membros do grupo?
Mike Clark e o Louie Mayorga são bons amigos meus. Eu acabei sacaneando com outros caras com quem eu queria me redimir no passar dos anos. Não são situações que não tem volta. Eu encontrei o Mike Muir no House of Blues (casa de shows em LA) ha um ano e pouco atrás.

Mike Clark & Louie Mayorga are good friends of mine. I did screw other people over along the years that I’d like to make it up to some day. I never burn bridges. I saw Mike Muir at The House of Blues a year or so ago.

Foto recente: Nelson sempre no rock

Foto recente: sempre no rock

O que você faz atualmente?
Por vários anos eu fiquei afastado da música vivendo uma vida normal, não eu não sirvo muito bem para isso. Hoje tenho 46 anos e música e doidera são as coisas que eu faço melhor, voltei à ativa em 2004. Em 2006 formei o NASTY HABITS, que lançou um disco agora no meu próprio selo, Deeder Deets Records. Eu tenho um canal no Youtube/DeederDeets onde eu despejo material regularmente. No Unforgiven4 também tem musicas e fotos do NASTY HABITS.

For many years I left music and lived an ordinary life, but I’m not very good at it. Today I am 46 yrs old. Music and craziness is what I’m best at, so I got back into it in 2004. NASTY HABITS is the band I started in 2006. Our album is out now on my own label, Deeder Deets Records. I have a Youtube/DeederDeets channel that I dump footage into regularly. Unforgiven4 is where the music and pictures are for NASTY HABITS.

Em ação com a banda nova

Em ação com a banda nova

Você comentou sobre um projeto de filme sobra e sua vida. Como será isso?
Atualmente estou escrevendo um filme sobre a minha vida com o pseudônimo de Josh Nigels, um guitarrista que tocou no Homocideal Tennis-shoes e os  The Flaming Habaneros, parodiando Suicidal Tendencies e Chilli Peppers. Tem também um produtor queria fazer um reality show comigo ano passado, ia se chamar “Que fim levou Jon Nelson?”, ainda pode ser que dê certo. Nesse tipo de negocio, muita coisa precisa estar certa para que algo aconteça. Por isso é que eu faço muita coisa sozinho. Estudei produção, business e marketing musical na UCLA quando terminei o highschool. Uns anos depois, quando eu toquei com o Suicidal, dei a idéia para o Mike (Muir) e o Louie (Mayorga) para que eles começassem gravadoras próprias e eles acabaram fazendo isso.

I am currently writing a movie about my life with a ficticious name, Josh Nigels who played guitar for Homocideal Tennis-shoes and The Flaming Habaneros. A producer wanted to do a reality show about me last year called, “What ever happened to Jon Nelson?” that still might happen. Many things need to be in place before they happen in this business, tho. That’s why I do so much myself. I studied record production, music business and marketing at UCLA when I dropped out of highschool. A few years later when I played in Suicidal, I gave Mike & Louie the idea to start their own record labels, which they eventually did.

BÔNUS TRACK
Duas entrevistas recentes de Jon Nelson. Confiram!

4 Comentários

Arquivado em ST for Life

4 Respostas para “Entrevista – Jon Nelson

  1. It’s bloody brilliant!! Thanx, man, great things and great facts I did’n know before.

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