Entrevista – Bob Heathcote

* with english version below

Bob Heathcote integrou o Suicidal por pouco menos de um ano, de 1988 a 89. Gravou somente um álbum (How Will I Laugh Tomorrow…) e participou de uma turnê (Europa e EUA). Quando a banda se preparava para entrar novamente em estúdio, foi “convidado a se retirar”.

A partir daí, aos poucos se afastou. Parou em São Francisco, formou uma família de cinco filhos e passou a curtir a fotografia. Tamanho foi o sumiço do baixista que chegou-se a questionar se ele ainda estava vivo.

Vinte anos depois, Heathcote reaparece e abre a caixa de recordações. Para mostrar que, se o tempo foi curto, a passagem pelos Cycos foi pra lá de intensa.

Quantos anos você tem e onde mora?
Tenho 45 anos e vivo em San Francisco.

Como você entrou para o Suicidal?
Amery Smith e eu frequentamos a escola juntos em Westchester, California. Lembro uma das primeiras vezes que toquei com o Amery: depois do colégio, peguei o ônibus com o meu baixo e um amplificador pequeno, empurrado por meu skateboard, até a casa de Valor (pai de Amery), em Playa Del Rey. Na época, ele estava tocando a bateria da irmã dele. Apenas nós dois ensaiamos por anos, com e sem Rick Battson e outros guitarristas.

Amery Smith e Bob Heathcote ensaiando na casa de Valor.

Depois Amery entrou para o ST, fez o primeiro disco e eles foram para a estrada. Mais tarde, viajei um pouco com ele e a banda como engenheiro de som. Profissionalmente, eu vinha sendo engenheiro de som em shows, aparentemente para sempre, para algumas bandas próximas a Los Angeles, mais do que tocar baixo. Meu primeiro show real como engenheiro foi no Olympic Auditorium, onde o ST foi a atração principal com os Red Hot Chili Peppers e muitas outras. Aquele show abriu meus olhos e me introduziu realmente à cena punk.

Quanto a mim, eu gostava de tocar com Amery e Rick Battson, mas isso nunca foi a nenhum lugar profissionalmente. Na verdade, nunca tentei fazer nada exceto praticar em uma garagem velha. A gente parecia sempre à procura de um vocalista para nos dar a direção.

Mais tarde, embora eu não me lembre como nos conhecemos, eu comecei a tocar com o Rocky George em uma banda cover, tocando músicas do Scorpions, Judas Priest e Motorhead. Rocky me inspirou porque ele não tocava apenas rock e metal. Nós ouvíamos muito jazz, fusion e Frank Zappa. Eu toquei muito com o Rocky ao lado dos Sterling Roberts na bateria.

Um dia eu ouvi que o ST estava procurando um novo guitarrista para o seu segundo álbum e falei para o Rocky que ele deveria fazer uma audição. Alguns dias depois, Rocky estava na banda.

Logo depois, Amery Smith e Todd Moyer estavam com um projeto chamado Uncle Slam e eu trabalhei com eles por, talvez, seis meses, fazendo pré-produção para um álbum. Mike Muir ouviu a fita e nos fez um contrato. Fiquei muito feliz de, finalmente, ter a chance de gravar em um estúdio de verdade.

Heathcote em foto promocional para o Uncle Slam.

Mas então, apenas uns dias depois Rocky me chamou e perguntou se eu estava interessado em tocar com o ST, pois o Muir queria cortar Louichi Mayorga. Eles iriam iniciar a gravação dois dias depois. O estúdio estava agendado, e eu tinha que decidir imediatamente. Eu falei para o Rocky que eu tinha interesse em saber mais e ele disse que iria conversar com o Muir.

Na época, eu estava tocando baixo muito na noite, mas tentava também dar suporte à minha família com um emprego “normal” de dia. Estava casado, com uma criança (que está casada agora), então eu precisava dos detalhes do Muir e ter a certeza que ele tinha condições de pagar o suficiente para a minha família se manter. Eu estava em uma encruzilhada, nunca tinha excursionado, nunca havia gravado, e poderia recusar o emprego dos meus sonhos se ele não rendesse dinheiro suficiente. Não poderia deixar minha família sozinha enquanto eu estivesse na estrada. Então, eu tinha que falar com o Muir.

Eu fui vê-lo onde ele morava, na skate shop Streets of Venice, na Lincoln, e me sentei com Muir no quarto de cima, onde foi gravado o video de How Will I Laugh (clique para assistir o clipe). Nós falamos talvez por três ou quatro horas. Ele me disse que poderia me pagar (apenas) o suficiente, mas me pareceu em dúvida se realmente queria tirar o Louichi da banda. Muir continuou a me explicar porque Louichi deveria sair, o que eu realmente não me importava. Eu só queria ouvir ele dizer: “Você é o novo baixista do ST”. Finalmente, ele disse.

Registro do encarte de How Will I Laugh…

O que realmente foi estranho, e algo que eu nunca vou esquecer, é encontrar Louichi esperando no andar de baixo, quando eu saí da sala. Alguém deve ter chamado ele e dito que eu estava conversando privadamente com o Muir. Louichi me perguntou o que rolou, e eu disse: “Bem… eu estou dentro e você está fora”. Eu fui o primeiro a dar a notícia para ele. Ainda lamento ter dito a ele daquela maneira. Louichi sempre foi muito legal comigo, mas eu não queria mentir. Apenas não sabia outra coisa a dizer.

O ST sempre foi associado às gangues. Em algum momento rolou uma relação direta?
Eu nunca fui um brigão e sempre odiei violência. Do meu conhecimento,  nunca vi um membro de gangue com a banda. Nunca. No estúdio de gravação, nos bastidores do show, em lugar nenhum. Talvez eu não estava prestando atenção. É claro que enquanto eu estava na banda, de março de 1988 até fevereiro de 1989, nós nunca tocamos no sul da Califórnia, onde eles tinham sido proibidos.

No entanto, logo após nós termos retornado de uma turnê pelos Estados Unidos, eu fui até a Streets of Venice, onde o Muir morava, e o lugar tinha sido todo detonado. Coisas quebradas por tudo. Quando eu perguntei o que tinha acontecido, alguém me disse que o Muir tinha dito em uma entrevista para a televisão que “a Suicidal Gang é mais um clube de bicicleta do que uma gangue”. Alguém esperou fora da casa ele voltar e o atacou. Ainda me pergunto se essa história é verdadeira.

Qual foi o melhor momento que você viveu com o grupo?
Quando Mike disse que eu estava na banda, e falou o horário que eu deveria encontrá-lo no estúdio, no dia seguinte, eu fiquei muito feliz, especialmente porque minha esposa me apoiou mesmo se isso significasse dificuldades para nós. ST e eu tocamos alguns grandes shows nos EUA e na Europa. E outros realmente ruins, também, onde não tínhamos fãs nenhum porque alguém vacilou na promoção.

Primeiro à esquerda, excursionando com o ST.

Os melhores na Europa foram, provavelmente, os shows em Paris e Milão, o último, acho, no clube Rolling Stone. Eu estava doente como um cão, mas me lembro que os fãs eram ótimos, então trabalhei duro por eles. O Royal Academy, em Londres, foi um excelente show: palco grande e muitos fãs. Holanda e Bélgica também foram ótimos. Mike Clark era o meu companheiro de quarto, durante quase todo o ano, em todos os hotéis. Ele e eu nos demos muito bem, fizemos várias jams e falamos muito sobre projetos futuros. Lamento não ter mantido o contato com ele depois de eu ter sido cortado.

E o pior?
Um ponto baixo, claro, foi quando o manager “Andrew” me ligou para dizer que os meus serviços não eram mais necessários. Especialmente, porque estávamos próximos de começar a gravar um novo disco, e eu queria compartilhar minha nova “bass voice” (um tipo de “canto” grave), como Louichi havia feito e Robert Trujillo faria mais tarde.

Outra lembrança ruim: eu me senti realmente mal por ter colocado o técnico de bateria em uma enrascada, quando nós desembarcamos no aeroporto de Heathrow (Londres), que terminou com ele sendo deportado de volta pára os Estados Unidos e perdendo toda a turnê européia. Mais tarde, soube que ele estava tentanto entrar no país como turista, sem uma permissão de trabalho, e eu falei seu nome na alfândega. Assim eles começaram uma investigação. Se alguém tivesse me dito antes isso nunca teria acontecido. Desculpe, Toi!

Primeiro à esquerda, em turnê, provavelmente na Itália.

O pior show foi, provavelmente, em Belfast, onde os fãs cuspiram na gente para mostrar aprovação! Houve também, claro, uma ameaça de bomba, e o hotel era como uma cena de filme de guerra, com bunkers e obstáculos na calçada para impedir alguém de dirigir até o lobby com um carro bomba. Todos os shows na Alemanha foram ruins porque o promotor se mandou e ninguém sabia que nós estávamos lá. Isso foi doloroso. E nós agendamos várias datas na Alemanha. A cerveja era boa, pelo menos.

Qual sua música favorita?
Minhas músicas favoritas do disco que gravei são If I Don’t Wake Up e The Feelings Back. Mas eu gostava de todas. Não tinha nenhuma que eu fiz que não gostasse de tocar.

War Inside My Head também era muita diversão. Claro, Institutionalized e todas as músicas do primeiro disco eram ótimas porque os fãs tinham as maiores reações e emoções.

Por que você saiu?
Muir e eu não concordamos em várias coisas durante as gravações e enquanto estávamos na estrada. Minhas influências como baixista eram o Geddy Lee (Rush) e Chris Squire (Yes), e eu sempre toquei em power-trio, com muito espaço para o meu baixo ser quase um instrumento principal. Mas eu nunca consegui fazer ele soar bem na mixagem, então eles diminuiram o volume.

Capa do disco gravado por Heathcote com a banda.

Olhando para trás, não consigo culpar ninguém por mixar meu instrumento tão baixo, porque teria diminuído o impacto do excelente trabalho do Mike Clark de guitarra rítmica. O produtor (Mark Dodson) trabalhou com Judas Priest, que parece quase não ter um baixista, então era assim que ele queria que soasse o ST. Isso foi difícil de engolir na época.

Depois, na estrada, eu fiz vários riffs pesados e improvisações, e então, em minha opinião, foi muito ruim nós não termos feito uma gravação no fim da turnê. Em todo caso, era também para eu ter uma divisão igual do dinheiro no próximo álbum, então Muir também tinha essa razão para me cortar. Se você trabalha na música, você conhece a história.

Atualmente, você tem relação com o Muir ou algum outro integrante?
Nunca ninguém tentou entrar em contato comigo nem eu tentei. Eu estava muito chateado. Oh, Andrew tentou que eu devolvesse alguns equipamentos de baixo, que foram me dados pela Cavin e Ibanez. Fiquei puto!

Amery estava muito chateado por eu ter decidido trabalhar com o ST, mesmo que eu e Muir tivéssemos concordado que iria tocar nos álbums do ST e do Uncle Slam e talbez até excursionar juntos com as duas bandas.

Uns dois anos depois de eu ter saído, vi Rocky em um jogo do Kings de hockey, em Inglewood. Eu apenas disse “como você tem passado?”, e isso foi tudo. Meus filhos frequentavam a mesma escola dos filhos do Mike Clark, fiquei sabendo depois. Minha esposa disse que o viu uma vez.

O que você faz atualmente?
Desde que o ST acabou para mim, no início de 1989, eu venho tentando manter uma família de sete filhos. Meu mais velho se graduou agora e se casou, minha mais nova tem apenas quatro anos, então eu tenho estado muito ocupado nos últimos 20 anos. E tenho pelo menos mais 14 antes de me aposentar!

Acompanhado pelo filho Jon, em foto recente.

Estou ajudando meu genro a produzir música, minha filha adolescente está estudando percussão, então estou trabalhando com eles, mas nada profissionalmente. Porque uma banda muitas vezes me manteria algumas noites fora, na estrada, então eu canalizei minha paixão artística na fotografia, em que eu consigo fazer sozinho e quando posso. Eu fotografo geralmente automobilismo, sou fotógrafo da corrida de Laguna Seca, em Monterey, na Califórnia.

Obrigado por encontrar minha foto antiga, jantando com meus velhos amigos, Mike Clark e Albert. Esses dois fizeram tudo isso ser muito divertido e me protegeram várias e várias vezes contra as forças dentro da banda. Ler as entrevistas de Louichi, Amery, Rick e Mike, realmente me inspirou a falar sobre os velhos tempos.

***************ENGLISH VERSION***************

From 1988 to 1989, less than a year, Bob Heathcote was a member of Suicidal. He recorded only one album (How will I laugh tomorrow…) and played in a tour around Europe an the US. When the band was getting ready to record another album, he was “asked to leave” it.

Then, he moved away to San Francisco, formed a big family with five kids  and started to get into photography. He was missing for so long that some people even questioned if he was still alive.

Tweenty years later, Heathcote reappears and opens his box of memories. Showing us that, if it was a short period of time, his passage among the Cycos was really intense.

How old are you and where do you leave?
I am now 45 and living in San Francisco area

How did you enter Suicidal?
Amery Smith and I went to school together in Westchester, CA. I remember one of the first times I played with Amery: after school I took the public bus with my bass and a small amplifier, pushed along on my skateboard, to Valor’s place in Playa Del Rey. At the time he was playing his sisters drum kit. Just the two of us played for years, on and off with Rick Battson and other guitarists.

After Amery joined ST and made the first record they went on the road. Later I travelled a bit with him and the band myself as sound engineer. Professionally I had been doing live sound engineering seemingly forever for many bands around Los Angeles, more than playing bass. My first real engineering gig was the big show at the Olympic Auditorium where ST was the headliner over Red Hot Chili Peppers and many others. That show was an eye opener for me and my introduction to the punk scene really.

As for my own playing, I liked playing with Amery and Rick Battson but it never went anywhere professionally. Really, we never tried to do anything except practice in that old garage. We always seemed to be looking for a singer to come along to give us direction.

Later, though I cannot remember how we met, I started playing a lot with Rocky George in a cover band playing songs by the Scorpions, Judas Priest and Motorhead. Rocky inspired me because he didn’t play just rock\metal. We listened to a lot of jazz and fusion and Frank Zappa. I played a lot with Rocky along with Sterling Roberts on drums.

One day I heard ST were looking for a new guitar player for their second record and I told Rocky he should audition. A few days later Rocky was in the band.

Soon after Amery Smith and Todd Moyer were doing this project called Uncle Slam and I worked with them for maybe six months doing pre-production for a record. Mike Muir heard our tape and got us a record deal. I was very happy to finally get to have a chance record for myself in a real studio.

But then just a couple days later Rocky called me and asked if I was interested in playing with ST because Muir wanted to cut Louichi. They were due to start recording two days later. Studio time was booked, and I had to make a decision immediately. I told Rocky I was interested in learning more and he said I had to talk to Muir.

At the time I was playing bass a lot at night but I was also supporting my family with a regular “day” job. I was married with one child (who is now married herself) so I had to get the details from Muir and be sure he was going to be able to pay enough for my family. Here I was at a crossroads where I had never toured, never recorded, and I might have to refuse my dream job if there was not enough money. I could not leave my family homeless while I went on the road. So I had to talk to Muir.

I went down to see Muir where he lived, the Streets of Venice skate shop on Lincoln, and sat with him in that upstairs room you see in the How Will I Laugh video. We talked for maybe three or four hours. He said he could pay me (just) enough but he seemed torn by whether he really wanted to cut Louichi Mayorga from the band. He kept explaining to me why Louichi had to go, which I really didn’t care about! I just wanted to hear him say, “You are the new bass player for ST”. Finally, he did.

What was really strange and something I will never forget is finding Louichi waiting downstairs when I came out of the room. Someone must have called him and told him I was talking privately with Muir. Louichi asked me what happened upstairs, and I told him, “Well… I’m in, and you are out”. He heard it from me first. I still regret telling him that way. He was always a really nice to me but I didn’t want to lie to him. I just did not know what else to say.

ST has always been associated to gangs, but the was any moment that happened a really direct connection between them?
I was never a fighter and hate violence. To my knowledge, I never saw a gang member with the band, ever. Not in the recording studio, not backstage at any show, or anywhere. Maybe I was not paying attention! Of course while I was in the band, from about March 1988 to February 1989 we never played in Southern California as they had already been banned.

However, soon after we returned home after the United States tour, I went to the Streets of Venice where Muir lived and found the whole place had been torn apart, just things broken everywhere. Worse, Muir had been beat up pretty good and could hardly function. When I asked what happened I was told by someone else that because Muir had said in an MTV television interview “the Suicidal Gang is more of a bicycle club than a gang”, somebody waited outside for him to return and attacked him. I still wonder if the story was true.

What was the best moment you had with the band?
When Mike said I was in the band and told me what time to meet him at the studio the next day, I was pretty happy, especially as my wife supported me even if it mean some hardship for us. ST and I played some great shows in the US and Europe, and some really bad ones, too, where there were no fans at all because someone screwed up the advertising/promotion.

The best in Europe were probably the shows in Paris and Milan, the latter I think at the Rolling Stone club. I was sick as a dog but I remember the fans were great so I worked hard for them. The Royal Academy in London was a really great show, too: huge stage and lots of fans. Holland and Belgium were also excellent. Mike Clark was my roommate for nearly an entire year at every hotel. He and I got along great and would jam a lot and talk about future projects. It was the first real professional tour for both of us and we had a lot of fun together. I regret not staying in touch with him after I was cut.

And the worst?
A low point of course was when the weasel manager “Andrew” called me on the phone to say my services were no longer required, especially because we were about to start working on a new record and I wanted to share my new “bass voice” Louichi had done an Robert Trujillo would later do.

Another bad memory: I felt really bad for getting the drum tech in trouble when we landed at the Heathrow airport which ended with him getting deported back to the US and missing the whole European tour. Later I learned he was trying to enter the country as a tourist without a work permit and me calling his out name at the customs counter started an investigation. If someone one have told me ahead of time it never would have happened. Sorry Toi!

The worst show was probably Belfast where the fans spit on us to show their approval! There was of course also a bomb scare, and the hotel was like a scene out of a war movie with bunkers and obstacles in the driveway to prevent someone from driving up to the lobby with a car bomb. All the shows in Germany were horrible because the promoter pulled out and no one knew we were even there. That was painful. And we were booked for a lot of dates in Germany. The beer was good, though.

What’s your ST favorite song?
My favorite songs to from my record were “If I don’t wake up” and “the feelings back”. But I liked all of them. There were not I did not like to play.

“War inside my head”, was always fun, too. Of course “Institutionalized” and all the songs from the first record were great because the fans had the biggest reaction and emotion was at its highest.

Why did you leave ST?
Muir and I did not agree on a lot of things during the recording and while on the road. My bass guitar influences were Geddy Lee (Rush) and Chris Squire (Yes) and I had always played in a three-piece band with lots of head room for my bass to be almost a lead instrument but we could not get it to sound right in the mix so they turned it way down.

Looking back I cannot blame anyone for mixing my bass so low because it would have lessened the impact of Mike Clark’s great rhythm guitar work. The producer had worked with Judas Priest who sound like they do not even have a bass player so that is how he wanted me to sound with ST, too. It was tough to swallow at the time. Later on the road I would do a lot of heavy riffing and improvisation and so in my opinion it was too bad we did not make a recording at the end of the tour! In any event, I was supposed to get a full equal share of the money on the next record so Muir also had this reason for cutting me. If you work in music, you know the story.

These days, do you still have contact with Muir and the other members?
Nobody has ever tried to contact me nor have I ever tried to contact them. I was pretty pissed off! Oh, Andrew tried to get me to return some of the bass equipment, which was given to me by Carvin and Ibanez. What nerve!

Amery was very upset that I decided to work with ST even though Muir and I agreed I would play on both ST and Uncle Slam records and perhaps even tour together with both bands.

About two years after I had left ST I saw Rocky at a Kings hockey game in Inglewood. I just said “how you have you been?”, but that was about all that was said. My kids went to the same school as Mike Clark’s kid(s), I later heard. My wife said he saw him once.

What are you doing these days?
Since ST ended for me in early 1989 I have been raising a family of seven. Though my eldest just graduated college and got married, my youngest is only 4 years old, so I have been busy the last 20 years and have at least 14 more to go before retirement!

I am helping my son-in-law produce some music and my teenage daughter is studying percussion so I work with her but nothing professional recently. Because a band would often keep me out nights or on the road I channel my artistic passion into photography, which I can do alone on my own schedule. I shoot mostly motorsports and I am a track photographer at Laguna Seca Raceway, in Monterey, California.

Thanks for finding the old photo of me eating with my old friends Mike Clark and Albert. Those two really made it fun for me and had my back against forces inside and outside the band, many, many times. Reading the interviews from Louichi, Amery, Rick and Mike really inspired me to talk about all the old times.

11 Comentários

Arquivado em ST for Life

11 Respostas para “Entrevista – Bob Heathcote

  1. Marcelo Gomez

    Puta que pariu!
    sem palavras amigo André, cara…

    parece que cada dia sabemos MUITA coisa do ST, mais muita mesmo!

    MUITO boa a entrevista, pra mim em termos de conhecer coisas novas foi a melhor!

  2. xcycomaxix

    Parabems!!!! a entrevista e foda mesmo!
    Muito bom trablaho Andre!

  3. Great story. One of the most interesting interviews with ex-members. Thank you very very very much.

    If you don’t mind I’ll put a translation of this interview into Russian on my site with all links and a presentation of your blog.

  4. dudumunhoz

    Sem palavras. Muito esclarecedora. Deu pra sentir como funciona(va) a máquina S.T. Bob Heathcote gente finíssima. Parabéns a todos (andré e bob).
    phoda.

  5. Muito bom!
    Eita, quanta coisa rola por trás que a gente nem fica sabendo… Suicidal business! Hehe.

    Abraço André!

  6. George

    cara, ainda penso que se tu conseguir uma entrevista com mike muir..
    vai ser legal, claro..
    mas duvido que seja melhor que as dos membros antigos….

  7. Pingback: Mayorga na bronca… « SUICIDAL MANIAC

  8. I just read this for the first time, finding it on Google. I am proud to say that I am the mother of Bob Heathcote and this is the first real account I have read of his story. What a wonderful interview to read.

  9. i have allways liked sucidal music i allways thought bob was a good bass player than again robert was the best man for the job mike muir is a real nice guy not first he gets ride of lou because he does not want to pay him than cuts bob for money sucks thats the music world on the other hand bob you said the beer in germany was good how was the pot in holland? i was allways told that mike muir was not down with drugs or drinking but i would think that mike clark and rocky and rj were down with a few beeres and toke

  10. Pingback: ST Tour – Streets of Venice « SUICIDAL MANIAC

  11. Liam

    I am trying to find out the location of the cover of How Will I Laugh Tomorrow…. if anyone knows where this is, please contact me. Thank you!!

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