Arquivo do mês: outubro 2010

Sábado, 11 de setembro – parte 2

Óculos escuros, peita azul com a inscrição “Venice”, bermuda cinza nas canelas e um kéds tiozão. Destaque para a moda capilar: cabeleira alisada e levemente comprida, bigode fino complementado por formações humildes de pêlos abaixo dos lábios — tudo atormentado pelo branco do passar dos anos.

O responsável pelo baixo sinistro de um dos discos de punk-rock mais vendidos de todos os tempos, piloto do instrumento de um álbum símbolo do crossover, desce a escada cheio de marra, saudando a massa com um double hang loose.

Sem demora, Louichi Mayorga nota as figuras estranhas ao reino de seu backyard. Aproxima-se e, mais de um ano depois, nos apresentamos. Agora, pessoalmente. Surreal.

Eu, Abud e ele trocamos algumas palavras. Insisto para que o dono do pedaço fique solto, curta o barbecue. Mas, para a nossa grata surpresa, o fundador do Suicidal Tendencies parece mais interessado em conhecer a dupla de fãs brasileños malucos. Assim, enquanto o rockão pega firme durante a tarde de sábado, entramos no seio do lar dos Mayorgas.

Imediatamente, recorro ao velho quadro de recortes. Escaneio e vejo que há ali registros muito mais preciosos do que eu supunha. São fotos de bastidores da pré-história da banda, a maioria da turnê do Join the Army (parte delas será publicada aqui no blog).

Antes de examinar a peça com mais cuidado, pergunto se há mais material como aquele. “Boxes and boxes”, ele diz. A resposta, e a expectativa, me faz enxergar um pentagrama em chamas, semelhante ao do clipe de Possessed to Skate. “Amanhã eu mostro com calma”, completa Louie, indo em direção da sala.

Próximo da porta de entrada, o baixista saca as duas maiores recordações dos tempos de ST: o contra-baixo amarelo, utilizado na gravação do memorável disco de estreia; e o preto, companheiro na segunda (e, para ele, derradeira) aparição dos Cycos. Os dois, infelizmente, um tanto castigados pela inatividade.


Após alguns cliques para a posteridade, voltamos para a festa, à essa altura possuída pela malandragem. Lá fora, o embalo do Capiroto queima os alto-falantes e se espalha pelo coração de Venice.

Como era de se esperar, Louie se empolga com o grave brincando livre. Pede licença e assume, por algumas músicas, a posição que o consagrou. Contando ainda com a potente garganta de Caviar, vocalista do Horny Toad (grupo atual do ex-Suicidal), rolam algumas pedradas do Led Zeppelin.

O heavy-blues dos britânicos atiça o ambiente — um dos orgulhos de Louichi é possuir um pôster com firmas originais de Bohan, Jones, Page e Plant. Um litrão de Jack Daniels atenua a sede da rapaziada. De repente, num gole só, o irmão mais novo Steve consome metade da água maldita do Tennessee.

Anoitece no oeste de Los Angeles, o lendário barbecue caminha para o fim. Sentimos o momento de bater em retirada — no dia seguinte, pularíamos cedo da cama para viajar rumo a perdição de Las Vegas.

Na despedida, o cumprimento com Louichi Mayorga é marcado por uma camaradagem sincera. Com a Sunset escura, habitada por vultos matreiros, subimos no carro e partimos.

Três dias depois estaríamos de volta para a Suicidal Tour.

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Sábado, 11 de setembro – parte 1

Sábado em Venice, eu e meu camarada Rodrigo Abud aportamos, pontualmente, no endereço da Sunset Avenue. Sem qualquer enrosco, graças ao precioso serviço da Garmin, nossa orientadora via satélite.

Encontramos uma casa de madeira, escondida sob as árvores, meio judiada pelo tempo. Silêncio, nada indica ser ali a sede de um barbecue familiar. Bato na porta e nenhuma resposta. Minutos depois conhecemos Lupita.

Ela nos recepciona e diz que Louichi não se encontra. O anfitrião fora acompanhar o filho mais velho em uma partida de futebol americano. Mesmo assim, insiste para que entremos. Sem jeito, aceitamos o convite.

Cruzamos a porta de entrada, mais uma, e caímos na sala – a bagunça não deixa dúvidas: ali mora uma criança pequena. Passamos pela cozinha e, logo antes da última barreira para o quintal, flagro um velho quadro de fotos recortadas (mais tarde, o objeto ganharia toda a minha atenção).

Vencida uma pequena escada, caímos no backyard e, imediatamente, reconheço o cenário das fotos no Facebook. Espaço recheado, basicamente, por móveis e apetrechos sem uso, além de uma grande árvore. À direita, outra construção de madeira consome toda a lateral. Ao fim, um canil desativado. Nos fundos, mais uma casa.

Invadimos a área e encontramos Kate, esposa de Louichi. Previamente alertada sobre nós, ela faz as honras, saca o celular e informa que, em uma hora, o classic bass player retornaria. Enquanto isso, poderíamos ficar à la vontê.

Na busca por um posicionamento estratégico, esbarramos com o vice-presidente do barbecue, Steve Mayorga. Apresentações feitas, o bróder suicidal lembra da minha figura, em virtude de um contato, sem resposta, via internet. Pede desculpas até. Revela que, na ocasião, estava ocupado fotografando no Havaí.

Irmão mais velho, Steve sempre acompanhou Louichi no ST. Roadie? Responsável pelo merchandise? Segurança? Nada disso. À época, ele  e seu bigode viajaram pela Europa a bordo do ônibus Join the Army no esquema just for fun.

Novamente, somos intimados a beber uma cerveja e relaxar. Foi quando a profecia se realiza. Ainda em solo brasileiro, mandei para o Abud, em um lance otimista: “Se prepare para degustar uma Tecate no churrasco”. Dito e feito. O destaque do isopor é a número dos compatriotas da turma do Brujeria.

Porém, é preciso reforçar o guéri do evento – afinal, chegamos desprevenidos. Prontamente, recebemos orientações sobre a liquor store mais próxima e zarpamos pelo barrio que, um dia, fora palco de tretas sinistras de gangues. Sem demora, voltamos com packs de Tecate e Bud Light. Seguimos o alerta, feito em tom de brincadeira, e agradamos simpatizantes de bloods e crips.

Ambientados, nos resta acompanhar, com empolgação, os costumes chicanos. Àquela altura da tarde, o barbecue é do mulherio e das crianças. À noite, a maloqueiragem tomaria conta.

Cada convidado (irmãos, primos, tios, sobrinhos e chegados em geral) reforça a mesa com um belisco diferente, um mix de nachos, guacamole, hot dogs e brownies para arregaçar a fronteira. Coisa fina, mas coadjuvantes dos preparos incinerados por Bonifacio.

Ardem no inferno pilotado por ele — trajando camisa dos Lakers, boné para trás, bigode e tatuagens pelo corpo, incluindo um arisco LA dos Dogdgers na mão — porções de ribs, steaks, chorizos e traiçoeiras pimentas jalapeños with cheese.

No portátil humilde, rap latino é o som. Depois, um conjunto de Venice soltaria, ao vivo, alguns petardos manjados do rock setentista.

As horas correm e nada do responsável pela abertura de I Saw Your Mommy. Período em que nos aproximamos da rapaziada e treinamos o inglês, reforçando as lendas sobre o Brasil. Até que, on the microphone, vem o anúncio: “Ladies and gentlemen, my brother Louichi Mayorga”.

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Sexta, 10 de setembro

Antes do material do Suicidal, vou fazer uma breve retrospectiva de como tudo rolou em Los Angeles. Serão três textos, publicados um de cada vez. O primeiro está abaixo.

Tudo começa com uma entrevista por email. Pouco tempo após a criação deste blog – apenas para aproveitar as dezenas de fotos antigas do Suicidal Tendencies que eu coletava, por pura curtição – finalmente o velho e sumido baixista responde às minhas perguntas.

Eu jamais poderia imaginar um ano depois estar no quintal daquela casa em Venice, bisbilhotada por mim nas fotos do Myspace ao descobrir o paradeiro de Louichi Mayorga.

Corta para setembro último, sabendo da minha viagem para a California, Louichi me convida para um barbecue familiar. Porra, peraí… eu estaria ao lado daquele cara de nome latino (o único entre os quatro integrantes do grupo), chapéu invocado e panca de malandro, estampado no encarte do meu disco preferido? Frenesi total.

Mas, melhor segurar a onda. Vai que o convite era mais por gentileza…

Assim, sem criar expectativa, qual não foi a minha surpresa ao ligar para ele, de um telefone público dentro do Kodak Theatre, em Hollywood, e ouvir a resposta entusiasmada do outro lado da linha: ¿Dónde estááá, cabróóóón?

Alguns minutos de um embate pegado com muito english/spanish rolando de lado a lado, fica armado o encontro: sábado, às 14 horas.

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Extremamente constrangedor…

Antes de iniciarmos o despejo de informações da viagem, um videozinho que encontrei na comunidade do ST no Orkut. Matéria sobre a passagem de Mike Muir e Dean Pleasants — que tocaram com o Infectious Grooves, ontem, no SWU —  por São Bernardo, em um campeonato de skate.

Vale pelo registro, pois o desempenho do repórter da Globo fez tudo ficar extremamente constrangedor. Entre outras, o cara soltou “como está Itu?”, em português mesmo.

Entrevista no padrão Rede Globo de qualidade.

É só seguir por AQUI.

 

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Vencedor do sorteio do boné

Desta vez, 34 camaradas se inscreveram para o sorteio do boné invocado da parceria ST/Vans. Novamente, contando com o site Sorteador, foi rápido e fácil chegar ao ganhador: Antônio Novato, número 10 da lista. Para receber o prêmio, basta entrar em contato comigo por email.

O empolgante sorteio está registrado abaixo. E a auditoria foi feita por mim mesmo.

Assim sendo, chegamos ao fim da primeira promoção do blog. Foi uma bela experiência e pretendo, dentro do possível, realizá-la mais vezes. Vou ver se alinho uma parceria com um açougue, aí posso sortear kits churrasco, com saco de carvão, engradado de cerveja e 10kg de matambre recheado.

Mas, voltemos ao que interessa… Em breve, brevíssimo, começo a publicar o material da viagem até Los Angeles. E, garanto, posts quentíssimos estão por vir! Conto com a audiência e, como sempre, colaboração de todos!

 

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Ganhadores das camisetas e sorteio do boné ST/Vans

Dezessete camaradas confirmaram a inscrição para o sorteio das camisetas ST/Vans até a meia-noite de segunda-feira, conforme o regulamento previa.  A lista de confirmação, com nomes e números está AQUI. Bastaram poucos cliques para termos os felizardos. São eles…

André Folloni, o número 1 da lista, faturou a camiseta cinza com a caveira Cyco, tamanho médio americano, ou medium, se preferirem.

Franco Andrade, o número 15, ficou com a peita branca com a  clássica bigodeira do Mike Muir, tamanho GG americano, ou x-large.

Se a dupla quiser promover um escambo, fique à la vontê.

O sorteio foi regulado pela Pugliesi Auditoria e os ganhadores devem me procurar no email para que possamos combinar a entrega.

Quem quiser, pode curtir o emocionante video abaixo.

*******SORTEIO DO BONÉ*******

Resta então, o sensacional boné ST/Vans. Atenção para as instruções logo abaixo…

Tamanho único.

– a turma que já se inscreveu para o sorteio das camisetas NÃO precisa confirmar a participação. Vocês já estão dentro automaticamente.

– quem nunca comentou no blog e deseja envergar um boné transado do ST, basta registrar seu comentário neste post. Já está valendo…

– espero que a malandragem não apareça por aqui com inscrições duplas, triplas etc. Caso, infelizmente, isso aconteça, o jipe vai tombar. Descolei na internet um infalível apetrecho de delação, chamado Língua de Tamanduá System.

– o prazo para as inscrições se encerra na quarta-feira, dia 6, à meia-noite! Ou seja, comentário postado à 12h01 não participa.

– caso o ganhador resida fora de Curitiba, terá de arcar com os custos de envio pelo correio, na modalidade que preferir (Sedex etc).

– novamente, a promoção será realizada pelo revolucionário site Sorteador. A auditoria, mais uma vez, será de minha responsabilidade.

– casos omissos serão resolvidos sem stress.

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Sorteio ST/Vans

Antes de eu começar a publicar o material obtido na viagem até Los Angeles, vamos de sorteio. Como já disse, trouxe três peças da segunda série da parceria entre a Vans e o Suicidal.

São elas…

TAMANHO MÉDIO PADRÃO AMERICANO

TAMANHO GG PADRÃO AMERICANO

TAMANHO ÚNICO

Fiquei matutando a melhor forma de realizar o sorteio e decidi da seguinte maneira. APENAS a turma que já comentou no blog poderá participar do sorteio das DUAS CAMISETAS. Quanto ao BONÉ, TODOS poderão concorrer. Nos dois casos, só serão aceitas inscrições de quem mora no BRASIL.

Sobre o sorteio das CAMISETAS, alguns detalhes importantes…

— estão AQUI os nomes de todos os leitores que estão aptos. Caso você já tenha feito algum comentário e, por algum lapso meu, não esteja na lista, por favor me avise.

— será preciso CONFIRMAR a inscrição em comentário até a meia-noite de segunda-feira, dia 4 de outubro. Já está bem claro, mas reforçarei: comentário postado às 12h01 não entra. A partir da inscrição, cada um terá um número correspondente à ordem em que o comentário foi postado. Quem não confirmar, estará fora.

— caso o ganhador more fora de Curitiba, terá de arcar com os gastos de envio pelo correio, na modalidade que preferir (Sedex etc).

— quanto aos tamanhos dos produtos, caso os ganhadores quiserem trocar para uma melhor adequação, fica a critério dos mesmos.

O sorteio das camisetas será realizado na próxima terça-feira, dia 5 de outubro. E será feito pelo sistema do site Sorteador. Filmarei e postarei no Youtube para que não restem dúvidas da idoneidade da promoção. O primeiro número sorteado valerá para a primeira camiseta. Naturalmente, o segundo ganhará a peita com o bigodão do Mike Muir.

Na quarta-feira, dia 6, à meia-noite, abrirei a inscrição para concorrer ao boné, que será sorteado no dia seguinte, quinta-feira. Ou seja, não adianta se inscrever antes do prazo. O comentário não será válido.

Até lá, definirei melhor as regras para o sorteio do BONÉ. Preciso pensar, por exemplo, em como evitar que alguém se inscreva mais de uma vez (o que seria lamentável). Aceito sugestões.

***********IMPORTANTÍSSIMO***********

Este não é um site profissional e eu não tenho nenhuma experiência em sorteios pela internet. Também não possuo qualquer interesse na promoção que não seja movimentar o blog e fazer uma camaradagem com os leitores (eu paguei pelos produtos).

Dessa maneira, embora acredite que as regras estejam bem definidas, podem surgir contratempos e casos omissos. Se algum problema ocorrer, será contornado sem stress (em outras palavras, se fiz alguma cagada na regulamentação do sorteio, as regras podem mudar). Conto com o bom senso de todos.

Por fim, há amigos pessoais meus entre os participantes. Caso algum deles seja premiado, garanto que será por pura sorte. Afinal, caso eu quisesse presentear algum camarada seria mais fácil fazê-lo diretamente, não? Se mesmo assim você tem dúvidas sobre a honestidade da promoção, peço, encarecidamente, que não participe.

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