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Entrevista – R.J. Herrera

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Dos ex-integrantes do Suicidal, R.J. Herrera foi o mais complicado de encontrar até agora. E “complicado” é mesmo a melhor definição, afinal, eu sabia onde o ex-baterista estava, mas não conseguia alcanlçá-lo.

Tudo começou quando encontrei a fera no Myspace, na posição de titular  das baquetas do Horny Toad, banda do também ex-Cyco Louichi Mayorga.  Fiz o tradicional contato pela rede e, depois de alguns dias, recebi o email de Herrera.

Porém, veio a decepção. O endereço estava errado e nada de comunicação. Deixei de lado até que resolvi recorrer ao Mayorga diretamente, e através dele soube que o saudoso batera tinha se mandado para Ohio, para um tratamento médico da esposa dele.

Mais uma vez, vi diminuída a esperança de encontrá-lo. Até que, há pouco mais de um mês, investi novamente pelo Myspace. Mensagem vem, mensagem vai, pintou o telefone celular do Herrera na tela.

Ligo? Não ligo? Liguei, basicamente, para descolar um email correto. No fim, acabei batendo um excelente papo com o baterista da fase áurea do ST. Dez minutos de conversa (a conta ainda não chegou!), naquele inglês danado (porém astuto), sobre os dias de hoje e o passado na banda.

Não preciso nem dizer que foi algo surreal para mim: ter do outro lado da linha, num esquema full-contact, um cara que eu sempre admirei apenas por música, clipes e capas de disco.

Senti que lá da América do Norte, Ralph também curtiu. Há quase 20 anos longe do grupo, pareceu bacana para ele ter novamente o reconhecimento da importância que teve para o Suicidal. Ainda mais no caso de um batera, sempre escondido atrás do instrumento.

Aprumada a entrevista, enviadas as perguntas, ele não demorou a responder. Foi bem sucinto, coisa de quem, aparentemente, não é muito habituado à essas paradas de internet, Facebook, Myspace etc.

Apesar disso, nos deu o suficiente para sabermos por onde anda e, principalmente, que tudo está bem. Valeu mesmo, Chicano-Surf-Skate Style!

Onde você nasceu?
Eu nasci em Santa Mônica (EUA). Estou com 46 anos e  me mudei temporariamente para Ohio, até setembro deste ano.

Como começou a tocar bateria?
Comecei a tocar no 4th grade. Eu sempre me liguei no ritmo e na bateria quando ouvia música quando moleque. As primeiras influências foram, provavelmente, os Beatles, e tudo que ouvia no rádio. Também fui influenciado pelos bateristas Buddy Rich e Carl Palmer (Emerson, Lake e Palmer).

Ao lado de Rocky George, cheio de estilo.

Alguma conexão entre o Suicidal e as gangues de Los Angeles?
Nenhuma conexão. Apenas um monte de fãs e seguidores que se vestiam com Pendletons e bandanas.

Qual o seu melhor momento no grupo?
Foram alguns bons momentos. Enquanto fazíamos shows na Flórida com o Janes Adiction descobrimos que o “Lights, Camera… Revolution” fora indicado ao Grammy. Também tocar em LA no Verizon Amphitheatre após termos sido banidos por um bom tempo.

Com o ST nos bons tempos de "Lights, Camera... Revolution".

Qual a sua música favorita do Suicidal?
Não tenho uma única música favorita. Algumas boas partes de bateria: “Trip at the Brain” e “Lost Again”.

Você introduziu o uso do pedal duplo na banda. Isso contribui para encaminhar o Suicidal para o metal?
Sim, eu passei a usar o pedal duplo. Quando viemos com músicas novas isso simplesmente aconteceu. Eu nunca pensei em escrever coisas “metal” ou “punky”. A música é o que é… Suicidal, eu acho.

Pedaleira dupla logo que entrou para o ST, com Louichi Mayorga.

Por que você deixou o grupo?
Eu fui colocado em uma situação onde ficou desconfortável eu continuar trabalhando com o Muir. Além disso, minha mulher estava grávida do nosso primeiro filho. Muir estava em seu “modo ditador” e eu não iria lidar com isso.

O que você fez depois de deixar o grupo?
Depois de deixar o ST eu fiz alguns discos com o Uncle Slam (que contou também com Amery Smith, Louichi Mayorga, Bob Heathcote e Jon Nelson, todos ex-Suicidal), Beowulf e um projeto paralelo com o Mike Clark chamado Bastion.

Primeiro à esquerda, com o Horny Toad de Mayorga.

Tem visto algum dos ex-companheiros de banda?
Apenas vi o Robert (Trujillo) com o Metallica em outubro, falei com o Clark rapidamente próximo do ano novo, Rocky há algum tempo e toquei com o Louichi no Horny Toad quando voltei para casa.

E o Muir?
Não falei com ele nesses quase 20 anos…

Toparia uma turnê reunindo a formação do período de auge da banda?
Uma reunião com os caras nunca aconteceria por algumas razões. Uma vez que Muir tomou as decisões sobre a “sua” banda, ele nunca volta atrás. Rob está muito ocupado com o Metallica. Eu não sei se todo mundo concordaria com isso se essas reazões fossem possíveis.

Com a filha Devon, Rob Trujillo e o filho Jackson (de xadrez).

O que você tem feito ultimamente?
Atualmente tenho tentado cuidar da minha esposa enquanto ela está doente e ser um bom pai para meu filho Jackson (18 anos) e minha filha Devon (13). Eu tenho escrito alguma coisa e espero gravar logo que possível.

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Bob Heathcote na área…

* with english version below.

Depois de Jon Nelson, mais um ex-integrante do Suicidal apareceu por aqui  (o blog está ficando importante). Bob Heathcote comentou este post e pôs fim às dúvidas sobre o seu paradeiro. O ex-baixista do ST no final dos anos 80 está mais vivo do que nunca – cheguei a ler na internet que ele teria sido assassinado — e logo ressurgirá em uma entrevista exclusiva.

Heathcote, ex-baixista do ST, e o filho Jon, em foto recente.

Beside Jon Nelson, another Suicidal former member has appeared here (this blog is becoming important!). Bob Heathcote commented this post and solved the mistery about his secret spot. The former ST bassist  from the late 80’s is more alive than ever (unlike some “news” I’ve read on the net sayin’ he was murdered) and he will be soon here in an exclusive interview.

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Entrevista – Jon Nelson

Jon Nelson teve passagem curta pelo Suicidal. Assumiu a guitarra do grupo, por pouco tempo, entre 1983 e 84. Mesmo assim, construiu uma imagem muito forte entre os Cycos.

Boa parte desse fenômeno, pode ser creditada às lentes de Glen Friedman. O jornalista foi uma espécie de manager do ST nos “early years” e fez fotos fantásticas do então quarteto.

A principal delas, logo abaixo, parece resumir todo o universo da banda em seu início. Registro tantas vezes citado por aqui, mostra o ex-guitarrista em primeiro plano, ao lado de Mike Muir, Louichi Mayorga e Amery Smith. Tempos em que o ST buscava o seu espaço, partia para estrada e, principalmente, forjava uma identidade.

Nelson, em primeiro plano, Mike, Mayorga e Amery. Foto clássica de Glen Friedman

Nelson, Muir, Mayorga e Smith. Foto clássica de Glen Friedman

Como já contei pra vocês, nesta entrevista eu não precisei correr atrás – diferentemente do que rolou com Mayorga, Smith, Battson e Clark, os outros Cycos enquadrados.

Um dia desses, Nelson pintou pelo blog, após ter recebido a indicação de  um amigo. Naturalmente, aparição que foi motivo de grande alegria e orgulho para mim.

Logo o chamei por email e ele topou prontamente o papo. As respostas vocês conferem abaixo, em tradução livre do amigo da casa Renato Puppi. Mais de 25 anos depois, um  apanhado bacana sobre a época de Suicidal, os melhores e piores momentos com a banda e os dias atuais.

Como a maioria dos Cycos, você é local de Venice?
Sim. Nasci em Santa Monica, mas eu matava aula e ia para Venice sempre e conhecia todo mundo lá. Cresci em Culver City, que fica a uns 20 minutos de Venice e depois numa região perto de Hollywood, outro lugar em que eu circulei muito enquanto crescia. Conheço muita gente em Venice.

Yes. I was born in Santa Monica (right next to Venice). I used to ditch school and go to Venice beach all the time, growing up near by in Culver City, California. I grew up close to Hollywood also, so that’s another place I hung out a lot while growing up. I know pretty much everybody in Venice.

Você entrou para o Suicidal de que maneira?
Eu fui empresário e produtor de uma banda chamada Neighborhood Watch, que eram os “irmãos caçulas” do Suicidal Tendencies. Eles abriam shows do Suicidal, rolava um pogo violento e eu julgava o quanto uma banda era boa pela maldade do pogo durante os shows. Os do Suicidal eram sempre os mais violentos, daí eu convenci os caras que eles precisavam de um segundo guitarrista. Assim eu comecei a tocar guitarra base, mas antes da primeira turnê da época o Grant (Estes) saiu da banda e eu tive que aprender a fazer os solos dele.

I maneged & produced a band called Neighborhood Watch, who were like little brothers to Suicidal Tendencies. They openned for Suicidal once, and I liked the slam pit they had. I used to judge how good a band was by how mean their pit was. Suicidals’ pit was the roughest, so I told them they needed another guitar player. I was originally just going to play rhythm guitar, but at the time of the tour, Grant quit, and I learned all his solos.

Nelson nos tempos de Neigborhood Watch

Pouco antes de entrar para o Suicidal

O ST sempre foi associado às gangues de Venice. Em algum momento rolou uma relação direta?
Na última vez que eu abri a boca sobre isso o bicho pegou. Só posso falar da minha parte. Membros da minha família, do lado da minha mãe, tinham conexões com as gangues por vários anos, logo, eu sabia como a coisa funcionava quando tinha que lidar com esse assunto. Eu perdi um tio assassinado, atropelado 3 vezes seguidas.

The last time I openned my mouth about that, things got ugly. I can only speak for myself, really. Some my family on my mom’s side was connected to gangs over the years, so I knew how things worked, when it came to things like that. I lost an uncle who was murdered. Run over three times.

Qual o melhor momento que você viveu com a banda?
Alguns dos melhores momentos que eu tive com a banda passaram rápido. Eu lembro de um dia de folga durante uma turnê no Kansas em que a gente tocou numa festa numa casa. Outra vez a gente deu uma entrevista para a MTV pendurados de ponta cabeça. Maneiro. Eu tentava falar normalmente, enquanto eu sentia o sangue todo fluindo para a minha cabeça.

Some of the best moments I lived with the band went by very quickly. I remember us having a day off during a tour in Kansas and we played a house party. Another time I gave an interview to MTV hanging upside down. That was cool. I was talking normal, while blood was rushing straight to my head.

Descansando o esqueleto em turnê com a banda

Descansando o esqueleto em turnê

E o pior?
Quando eu falei demais quando devia ter ficado quieto, isso causou problemas para a banda e eles ficaram magoados comigo.

Probably when I openned my mouth when I should’ve kept it shut. It did some damage to the band. They were very upset with me.

A pergunta é meio desnecessária, mas… o fato de você tocar muitas vezes com os dentes é uma influência de Jimi Hendrix?
Sim, eu aprendi a tocar com os dentes com o Hendrix. Muita gente não acredita que ele tocava as cordas com os dentes, mas é verdade. Para falar a verdade, o Mike Clark toca com os dentes melhor que eu.

Yes. I learned to play with my teeth from Hendrix. Many don’t believe he actually plucked the strings with his teeth, but he did. Mike Clark plays with his teeth better than I do, actually.

Musicalmente, Hendrix influenciou de alguma forma o seu som no Suicidal?
Ainda bem que você perguntou especificamente sobre musica, porque eu peguei também várias outras influencias ruins do Hendrix. Muitas mulheres e drogas no decorrer dos anos. Você pode achar que foram só os solos, mas o Jimi Hendrix foi um dos melhores guitarristas base da historia. Ele sabia como deixar o som com muito mais “groove”.  Foi assim que eu escrevi “You got, I want”, que saiu no “Join the army”. Eu também escrevi “Human guineapig” e “Look up” que saíram na coletânea Welcome to Venice.

I’m glad you specified “In music”, because I picked up a lot of bad habits from Hendrix, as well. Many women & drugs over the years. You might think it was just in the solos, but Jimi Hendrix was probably one of the best rhythm guitarists that ever lived. He knew when to cool down and fall into a bitchen groove. That’s how I wrote “You got, I want”, that wound up on “Join the army”. I also wrote “Human guineapig” and “Look up” on the first Welcome to Venice compilation.

Degustando a guita ao lado de Mayorga e Smith, escondido na batera

Degustando a guita como o ídolo Hendrix, ao lado de Mayorga e Smith, escondido na batera

Por que você deixou a banda?
Eu queria contar as minhas próprias músicas, acabei tocando com os Red Hot Chili Peppers por um tempo curto, eu era bem amigo do Flea na época que ele tocava no Fear. Os Chili Peppers eram o projeto paralelo dele, alem disso ele tocava com varias outras bandas que estavam em LA na época (Circle jerks, P.I.L., Mick Jagger, etc.). Com isso eu aprendi o que precisava sobre como as coisas funcionam nesse meio e comecei uma “mega bandinha” chamada Screaming Fetus com o Amery Smith, Mike Clark e John Flitcraft (do Nieghborhood Watch). Glen Friedman conseguiu um contrato com a Profile records e mudou o nome da banda para The Brood.

I wanted to sing my own songs. I wound up playing with the Chili Peppers for a little while. I was good friends with Flea when he played in Fear. The Peppers was his side project while sitting in with everybody in town (Fear, Circle jerks, P.I.L., Mick Jagger, etc.). I had learned what I needed to know about the business, and started a little super group called Screaming Fetus with Amery Smith, Mike Clark, and John Flitcraft (from Nieghborhood Watch). Glen Friedman got me a record deal with Profile records and he changed the name to The Brood.

É verdade que você trocou os direitos autorais sobre War Inside My Head por uma guitarra Flying V?
Sim. Pouca gente sabia disso. Eram os meus direitos autorais de tudo que eu escrevi para o Suicidal. Eu pedi um pouco de dinheiro, só para formalizar e deixar a coisa mais legítima, não era nada demais. Acho que eles se espantaram, mas o Mike Muir sabia que eu queria aquela guitarra de volta, eu tinha vendido para ele durante uma turnê. Era um protótipo feito para o Eddie VanHalen por um amigo meu. O Eddie não quis. Eu fiquei com ela por alguns anos, parecia de mármore. Muito maneira.

Yes. Not too many people know about that. It was all copyrights to everything I wrote for the band. I asked for a little bit of money, just to make it legitimate, which was no problem. I think they were surprised, but Mike Muir knew I wanted my guitar back that I had sold him while we were on the road. It was a prototype made for Eddie VanHalen by a friend of mine. Eddie didn’t want it, tho. I had that thing for years. It looked like marble. Pretty cool.

Com Muir, em North Hollywood

Com Muir, em North Hollywood

Em uma entrevista sua no Youtube, você não comenta nada sobre o ST. Alguma mágoa com esse tempo?
Não, problema nenhum. Nós gravamos a entrevista uma tomada só e o Tony (Verley) esqueceu de me perguntar sobre o Suicidal e os Chili Peppers. Não tenho nenhum sentimento ruim dessa época.

No. No problem. We did it in one take, and Tony forgot to ask me about Suicidal and the Chili Peppers. I have no bad thoughts about the band at all, really.

Atualmente, você mantém algum relacionamento com o Muir ou outros membros e ex-membros do grupo?
Mike Clark e o Louie Mayorga são bons amigos meus. Eu acabei sacaneando com outros caras com quem eu queria me redimir no passar dos anos. Não são situações que não tem volta. Eu encontrei o Mike Muir no House of Blues (casa de shows em LA) ha um ano e pouco atrás.

Mike Clark & Louie Mayorga are good friends of mine. I did screw other people over along the years that I’d like to make it up to some day. I never burn bridges. I saw Mike Muir at The House of Blues a year or so ago.

Foto recente: Nelson sempre no rock

Foto recente: sempre no rock

O que você faz atualmente?
Por vários anos eu fiquei afastado da música vivendo uma vida normal, não eu não sirvo muito bem para isso. Hoje tenho 46 anos e música e doidera são as coisas que eu faço melhor, voltei à ativa em 2004. Em 2006 formei o NASTY HABITS, que lançou um disco agora no meu próprio selo, Deeder Deets Records. Eu tenho um canal no Youtube/DeederDeets onde eu despejo material regularmente. No Unforgiven4 também tem musicas e fotos do NASTY HABITS.

For many years I left music and lived an ordinary life, but I’m not very good at it. Today I am 46 yrs old. Music and craziness is what I’m best at, so I got back into it in 2004. NASTY HABITS is the band I started in 2006. Our album is out now on my own label, Deeder Deets Records. I have a Youtube/DeederDeets channel that I dump footage into regularly. Unforgiven4 is where the music and pictures are for NASTY HABITS.

Em ação com a banda nova

Em ação com a banda nova

Você comentou sobre um projeto de filme sobra e sua vida. Como será isso?
Atualmente estou escrevendo um filme sobre a minha vida com o pseudônimo de Josh Nigels, um guitarrista que tocou no Homocideal Tennis-shoes e os  The Flaming Habaneros, parodiando Suicidal Tendencies e Chilli Peppers. Tem também um produtor queria fazer um reality show comigo ano passado, ia se chamar “Que fim levou Jon Nelson?”, ainda pode ser que dê certo. Nesse tipo de negocio, muita coisa precisa estar certa para que algo aconteça. Por isso é que eu faço muita coisa sozinho. Estudei produção, business e marketing musical na UCLA quando terminei o highschool. Uns anos depois, quando eu toquei com o Suicidal, dei a idéia para o Mike (Muir) e o Louie (Mayorga) para que eles começassem gravadoras próprias e eles acabaram fazendo isso.

I am currently writing a movie about my life with a ficticious name, Josh Nigels who played guitar for Homocideal Tennis-shoes and The Flaming Habaneros. A producer wanted to do a reality show about me last year called, “What ever happened to Jon Nelson?” that still might happen. Many things need to be in place before they happen in this business, tho. That’s why I do so much myself. I studied record production, music business and marketing at UCLA when I dropped out of highschool. A few years later when I played in Suicidal, I gave Mike & Louie the idea to start their own record labels, which they eventually did.

BÔNUS TRACK
Duas entrevistas recentes de Jon Nelson. Confiram!

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O monstro das quatro cordas

São tantos os temas sobre o Suicidal que nesse tempo todo de blog  (já são três meses) eu mal falei de um personagem importantíssimo na história da banda: Rob Trujillo.

O baixista Roberto Agustín Trujillo entrou para o ST em 1989, substituindo Bob Heathcote, indicado pelo camarada Rocky George, conhecido dos tempos de moleque em Culver City.

George e Trujillo nos bastidores: camaradas da antiga e dupla de ouro do ST

George e Trujillo nos bastidores: camaradas da antiga e dupla de ouro do ST

Deixou a banda oito anos depois, após a gravação de seis discos e a participação no projeto paralelo Infectious Grooves, ao lado de Mike Muir. A partir daí, tocou com Ozzy Osborne e ganhou mega-projeção mundial ao integrar o Metallica, em 2003.

Encontrei no Suicidal Fan Forum uma entrevista excelente do Trujillo para a Juice Magazine, revista de Venice, na edição 61. No papo, o monstro das quatro cordas (ou mais) dá uma geral na carreira para o entrevistador Jeff Ho (ele mesmo, o lendário shaper das pranchas de surf Zephyr).

Selecionei as partes em que o músico fala sobre os tempos de Suicidal (em inglês). A íntegra você pode conferir aqui.

How did you meet up with Mike Muir?
I used to work at a jazz café called the Comeback Inn. It was on West Washington, which is now called Abbott Kinney. Back in the day, the Comeback Inn would have these concerts outdoors. This was when new age was starting to come in to the picture. They had a lot of great jazz-fusion bands there. I wanted to work there, so that I could hang out with the hot, ripping jazz players. There was a surf shop next door to the Comeback Inn, and Mike Muir and Jim Muir lived behind the shop in the old pagoda or the “pumpkin”. Mike Muir and his friends would point the PA speakers over at the Comeback Inn in the patio area where the stage was set up, and these new age bands were playing. They would blast punk rock music through the PA. My boss would get so pissed. He would start screaming at them to turn it off. They would yell back on the PA, “Will’s a fag!” That was my first encounter with Muir. The other encounter I had with Muir was in the early ‘80s at a party in Venice. I remember him and his homies coming into the party, and they were just destroying shit. They owned that party. They just dismantled the party and scared everybody. Those were my early encounters with Muir and the hoodrats back in the early ‘80s.

When did you start playing with Suicidal Tendencies?
I hooked up with Suicidal Tendencies in ‘89. I was really good friends with Rocky George, their guitar player. Rocky and I went to high school together. He was from Culver City. Rocky George, played on “Join the Army” and “How Will I Laugh…” He was their guitar player from ‘84 to ‘96. Rocky was the one that got me into Suicidal. I auditioned for the band. I thought it would be this massive audition with all of these different players, but they were like, “If you want the gig, you got the gig.” That was the best break for me, because, in ‘89, Suicidal was going on one of their first real true arena tours. The next thing you know, I’m in Europe with Suicidal, opening for Anthrax. After that, we were opening for Slayer on the Clash of the Titans tour. It just started to blossom from there with Suicidal.

Trujillo em show com o Suicidal

Trujillo em show com o Suicidal

Was Suicidal the first group that you actually broke out with and did a tour with?
Yeah. That was the first, true, serious band that I was in. I was breaking away from the local scene, and from the semi-Hollywood type thing that I didn’t enjoy at all. Suicidal was the band that took me all around the U.S. and took me to Europe, Japan, etc. It was great because with Suicidal, everything was a challenge. We went from playing funky little theaters and clubs, to headlining Irvine Meadows, to opening for Metallica in 1993 in front of huge crowds.

So you were stoked.
Yeah.

Did that allow you to feel more creative?
Absolutely. Suicidal was such an important time for me. It also reacquainted me with surfing. Mike Clark, who’s a really amazing surfer, got me back into surfing. I surfed a lot from ’82 to‘86, and then I kind of, started slacking. When I joined Suicidal Tendencies, whenever we’d end up in Australia, or anywhere there was a wave, Mike would surf it. He’d drag me along with him. We’d be in New Zealand, and he’d say, “Dude, let’s go surfing.” He was really good, and I was kind of, okay. He’d get me out there and I finally realized through him that I had an amazing opportunity as a touring musician to explore some of the most amazing waves all over the world.

Oh, yeah.
Being able to surf in Tahiti, and places like Brazil was unreal. We’d always end up in Hawaii at some point. We’d do a killer concert in Hawaii and then we’d be able to go surfing for a few days. Because of those experiences with Mike Clark, and now with Metallica, I’ve been to Portugal, for instance, surfing southern Portugal, about six times now. I love it down there.

Trujillo, e a cabeleira que virou marca registrada, ao lado de Mike Clark nos anos 90

Trujillo, e a cabeleira que virou marca registrada, ao lado de Mike Clark nos anos 90

Talk to me a little bit about the years with Suicidal. You were over in Europe, having a really good time over there. You were snowboarding, too?
Yeah, that was another great thing. I used to push it back then and snowboard on the same day as a show. I would go snowboarding in Austria and take a train to get to Italy to do a show. I’d call Mike at the hotel. Back then it was all European pay phones. There were no international cell phones. I’d call Mike because they were all waiting for me and say, “I’m in a train depot about an hour outside of Torino, Italy.” I never really knew if I was going to make it. What if I missed the train? Finally, I had to chill out on that. I had to stop pushing the limit on that stuff. I was so addicted to snowboarding back then that it was starting to tamper with the music. It could potentially create a disaster for the band. I did a lot of snowboarding in Europe, probably more than I should have.

What led up to the break up of Suicidal?
Well, there have been different phases of Suicidal over the years. I think, during the era that I was in Suicidal Tendencies, which was ‘89-‘96, we were working so hard. We were touring all the time. When we weren’t touring, we were making an album. I was writing and recording, with Mike Muir. We were doing a band called Infectious Grooves. That was another musical project that we were involved with. That was great. We made three albums with Infectious Grooves. People tell me, to this day, that they are fans of Infectious Grooves. These were the creative challenges that we had taken on, plus the hard work we did with our shows. I think it became very taxing on everyone in the band and it created tension. Sometimes, the tension can stir up resentment with your band mates. Sometimes you need to take time off. Take a break for a year. That’s what we did with Metallica. My first two years with Metallica, we were non-stop. Then we took a year off. I talked to the guys in the band, twice in the year off from the band. It’s not because we have a problem with each other. It’s just that when you’re with each other so much on the road for a couple of years, when you do have time off, you really take time off. It’s a great thing. It’s not a problem. That’s just how we are. Now we started doing shows again and we’re writing material for the next album and we’re moving forward. Sometimes that’s necessary. With Suicidal, I don’t know if we just couldn’t afford to do that, but it was just something we never really got to do.

Everyone just diffused.
Yeah. I remember when Suicidal was on tour with Metallica, I was getting in fistfights with Rocky George, who was one of my best friends.

No way.
Yeah.

Muir e Trujillo, parceiros também com o Infectious Grooves

Muir e Trujillo, parceiros também com o Infectious Grooves

There was just a lot of tension?
Yeah, I remember he and I were literally throwing each other around and socking each other on stage while Metallica was playing. Rocky and I were right there beside James Hetfield’s guitars, and we’re brawling. I’m thinking to myself, “This fuckin’ sucks. What is this?” That happened a couple of times. It was kind of funny. We’re brawling and Metallica is jamming. We were having a fight right on stage, probably during the song “Fight Fire with Fire”.

Did you have a disagreement?
No, it was just tension, and maybe there was a little alcohol involved.

[Laughs.] Okay.
It was tension and alcohol.

And stress?
It was a lot of things. That was the end of that era. On a good note, Mike Muir and I hung out a few weeks ago and spent about four hours together, shooting the shit and hanging out. Everybody’s cool. Rocky is still a great friend.

Are you working with Mike at all?
Mike actually has some material that may potentially be released in the future. It’s recordings from 14 years ago that we’d done together with this amazing drummer, Josh Freese and members of Infectious Grooves. It’s not Suicidal Tendencies. It’s very different, but it’s amazing. For me, right now, my main focus and number one priority is Metallica. We’re working hard writing and, hopefully, in about a year, we’ll have an album ready to go. We’ll get back on the road and kick ass again.

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Cyco Tattoos – 4

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Video-tributo ao ST

Trampo absolutamente excepcional do usuário do youtube Slaytanic Megaforce. Sob o som do hino Pledge Your Allegiance, um tributo ao Suicidal muito bem editado, recheado de imagens bacanas e fotos raras.

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All the Cycos

Em mais de 25 anos de banda, muita gente já passou pelo ST. Da primeira formação, sobrou só mesmo o Muir – embora já dê para considerar há algum tempo o Mike Clark como “membro clássico”. Fiz as contas e considerando a demo anterior ao lançamento do disco de 1983, até os dias atuais, 27 pessoas participaram da banda.

Vocal – Mike Muir

Guitarra – Mike Dunnigan, Mike Ball, Rick Battson, Grant Estes, John Nelson, Rocky George, Mike Clark , Dave Nassie e Dean Pleasants.

Baixo – Andrew Evans, Louiche Mayorga, Ric Clayton, Bob Heathcote, Robert Trujillo, Josh Paul e Steve Brunner.

Bateria – Sean Dunnigan, Carlos Egie Egert, Amery Smith, R.J. Herrera, Josh Freese, Jimmy De Grasso, Brooks Wackerman, Ron Brunner, Jr, Dave Hidalgo Jr e Eric Moore.

Com o tempo, vou apresentar, um a um, toda a rapaziada que já passou ou ainda está no ST!

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