Arquivo da tag: Glen Friedman

Black Flag na morada Cyco

Volto com duas fotos do dia em que o Black Flag foi ao encontro do Suicidal. Ou, mais precisamente, de um show dos malucos liderados por Greg Ginn e Henry Rollins na garagem da casa de Mike Muir, em Santa Mônica.

Os registros feitos pelo manjado Glen Friedman integram a reedição do livro “Get in the Van”, escrito por Rollins, memória roqueira e estradeira que é artigo indispensável para todo mundo que aprecia uma barulheira.

Escaneei ainda o pequeno texto em que o chupeta-mor Rollins trata da apresentação. Reparem que a desgraceira aconteceu antes de o ST lançar seu primeiro e clássico álbum, ao final do lendário ano de 83. Clique nas figuras para vê-las maior e divirta-se.

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Flashing Pictures – 21

Já apresentei por aqui o trabalho de alguns fotógrafos que captaram o Suicidal em suas lentes, como Glen Friedman, Ed Arnaud, Pep Williams e Chirs Cuffaro — entre outros que, infelizmente, as fotos circulam na internet sem créditos.

Desta vez, o trabalho é de um americano chamado Ross Halfin. O cara tem um portfolio violento. É mais fácil falar quais bandas ele não fotografou. Abaixo, alguns registros do ST em estúdio e ao vivo. Como vocês verão, são todos do início dos anos 90.

Mais vocês podem acessar AQUI.

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Flashing Pictures – 18

* with english version below.

Gosto muito dessa foto. É um dos poucos registros em que o ST aparece na praia. Algo que, para uma banda local de Venice Beach, e tão identificada com a sua origem, não deveria ser tão raro. Não sei quem foi o responsável pelo clique, mas são gigantescas as chances de ela ter sido tirada por Glen Friedman.

Poucas, mas sensacionais as fotos do ST em seu habitat natural. O que dizer da peça que ilustra a capa do primeiro álbum, reproduzida, dez anos depois, para o Still Cyco?

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Provavelmente ao lado do pier de Venice, sobre as pedras, estão Muir (largado), Smith (desajeitado), Nelson (desafiador) e Mayorga (low-profile) — detalhe para respingos de uma onda que estourou, no canto direito.

Formação de 1983 a 84 que cavou um lugar na cena para o Suicidal. Com um disco de estreia desacreditado debaixo do braço, contra o descrédito da mídia, costurando as desavenças com outras bandas e se esquivando do ódio e da violência das gangues.

Chama a atenção o bonézinho do Nelson. À época, sempre feito com as próprias mãos. Mais tarde, essa onda (da aba do boné virada pra cima, mostrando alguma inscrição) viraria símbolo do ST e febre entre os fãs nos truckers hats dos anos 80.

*************ENGLISH VERSION*************

I really like this pic. It’s one of not so many photos avaliable that contains ST on the beach. And the scenario shouldn’t be so rare, for we’re talking about a band formed and raised in Venice Beach, the place they are really related to. I’m not sure who shot the pic, but it was probably Glen Friedman.

Even is there aren’t so many ST photos in their natural habitat, they are still terrific, though. What shall we say about the one that’s in the cover of their first album, that was released 10 years later for Still Cyco?

This pic was probably shot next to the Venice pier, standing in the stones, you can see Muir, Nelson and Mayorga – zoom on the splash caused by a wave, on the right corner.

The 1983-84 line-up dug a spot in the scene for Suicidal. Carryin’ a discredit debut album, also against the discredit of the media, sewing disagreements with other bands and avoiding the hate and the violence brought by the gangs.

Nelson’s tiny cap is another thing to pay attention – back then, those werer always drawned by hand. Later, this ‘style’ would turn out to be the ST symbol and become a fever among the fans wearing trucker hats in the ‘80s.

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Entrevista – Lisa Fancher

* with english version below.

Prosseguindo com a série de entrevistas do blog, trago dessa vez uma participação especial. Primeiro, pela relevância da pessoa na carreira do Suicidal. Segundo, por se tratar de uma mulher.

Afinal, é raríssimo vermos um registro sobre elas no mundo do rock que não seja na pele das mal-faladas groupies. E em relação ao ST, nunca vi algo por aí que tratasse com mais profundidade das meninas e da banda.

Lisa Fancher é uma californiana de enorme importância para o punkrock local. No início dos anos 80, fundou a Frontier Records e pouco tempo depois já entrou para a história com o lançamento de Group Sex, disco de estreia do Circle Jerks.

Lisa Fancher, em foto recente, com os dois maiores sucessos da Frontier Records: os primeiros álbums de Suicidal Tendencies e Circle Jerks.

E não ficou por aí. Em 1983, acabou convencida pelo parceiro Glen  E. Friedman a contratar uma banda até então mais famosa por algumas polêmicas e a violência de seus seguidores.

Desde então, não foram poucas as histórias para contar. Como, por exemplo,  sobre a edição pela Frontier do primeiro álbum do Suicidal Tendencies ter se tornado a mais vendida de um grupo de punk rock nos anos 80.

Quando você ouviu falar do ST? O que te impressionou para levá-los para a Frontier?
Não sei dizer exatamente qual foi o dia ou o ano, mas aconteceu lá por 1982. Glen E. Friedman (que fotografou o Adolescents para o LP da Frontier) tinha se tornado um grande amigo meu e também ajudava o Suicidal ou meio que atuava como “empresário” deles. Ele sempre me trazia demos diferentes, mas eu não achava que as músicas deles eram “fortes”. Pra ser bem honesta, a banda e seus fãs tinham uma reputação violenta o que me deixava um tanto nervosa. Então o Glen me mostrou um cassete de Institutionalized e eu soube naquele momento que a música seria um clássico. A fita não tinha nem um álbum inteiro de músicas, talvez umas cinco? Já se vão mais de 25 anos então é difícil de lembrar!

Como eles foram contratados?
Se o Glen E. Friedman não era o empresário oficial da banda, ele passou a ser quando eu disse que queria lançar o álbum de estreia deles. O contrato previa apenas o lançamento do primeiro álbum, não tenho certeza se isso aconteceu em razão de uma insistência deles ou se eu estava somente tentando contratá-los sem muito aborrecimento. As negociações do contrato não foram tão difíceis quanto eu me recordo…

Na entrevista que eu fiz com o Amery Smith, ele disse que o primeiro disco foi gravado em um único dia (“no computers, Pro Tools or Digital Performer or Cubase or Logic or Reason, there were no edits, all played live”). O que você lembra dessa sessão?
O disco não foi gravado em um dia. Eu digo que foram cinco dias, incluindo a mixagem. A maioria dos primeiros discos punks que gravei foi feita em dois ou três dias, mas eu sabia que precisava dedicar mais tempo para esse disco. Eu lembro que nós fizemos várias overdubs de guitarra com Grant Estes e isso valeu a pena todo o tempo extra e o dinheiro gasto!

Apesar da pouca idade, o ST já tinha uma fama muito controversa. Isso foi bom ou ruim para a Frontier?
Em última análise, isso trabalhou a meu favor porque eles eram muito conhecidos em Los Angeles e seus fãs ficaram famosos por serem violentos e destruírem as casas noturnas. E certos membros da banda também ficaram conhecidos por uma ou outra coisa ruim. Não vou ficar repetindo esses boatos, mas eu sei tudo sobre eles. TSOL também tinha uma má reputação e isso apenas fez com que os garotos os adorassem ainda mais. No fim das contas, os fãs do ST queimaram o filme da banda a ponto de eles terem sido banidos por anos de tocar em Los Angeles, depois que os fãs basicamente destruíram os assentos de um lugar chamado Perkins Palace. Acho que isso aconteceu por volta de 1983 ou 1984. Não era que a banda pedia para que os fãs brigassem ou destruíssem os lugares, mas eles também nem conseguiam controlá-los.

Desenho sobre a gravadora retirado do site da Frontier.

Outro rumor envolve a banda com as gangues. Isso preocupou você?
Eu não acho que se possa chamar os fãs de verdadeiros membros de gangues, eles ficaram conhecidos como Cycos e pertenciam ao seu próprio grupo. Glen E. Friedman fez um ótimo trabalho fotografando as camisetas do Suicidal feitas pelos próprios fãs, como você vê na capa do disco. Foi aquilo mesmo que aconteceu, a gente não pediu para ninguém fazer camisetas como aquelas!

Outra polêmica fala sobre a o ST ter sido “convencido” pelo FBI a mudar o nome da música I Shot Reagan, que ficou I Shot the Devil. Isso aconteceu?
Não exatamente. Eles chamavam a música de I Shot Reagan (“Eu atirei em Reagan”, ex-presidente dos Estados Unidos) mas é um absurdo alguém sequer fazer uma brincadeira sobre matar o presidente dos EUA, então eu que pedi que eles não colocassem esse nome na música na capa do disco. Eu não sei como, mas o FBI ficou sabendo daquelas letras, talvez a mãe ou o pai de alguém ficou puto com o disco e nos dedurou! O FBI realmente me telefonou e queria discutir sobre o assunto. Eu disse que era só a letra de uma música e prometi para eles que a banda não tinha nenhuma intenção de prosseguir com aquilo. Até onde eu sei, eles deixaram o assunto de lado, mas devem ter aberto um arquivo da banda, para o caso de eles continuarem falando sobre matar o presidente. Alguém devia utilizar a lei que trata sobre “liberdade de informação” para descobrir se existe um dossiê do FBI sobre isso!

A arte do disco é clássica. Você participou?
Eu confiei no gosto de Glen. A única coisa que eu fiz foi pagar pelo trabalho da arte e as entreguei para a Diane Zincavage (diretora de arte da Frontier) finalizar tudo. E você tem razão – realmente é uma capa clássica!

A capa clássica: fotos de Glen E. Friedman e arte de Diane Zincavage.

Naquela época, você sentia que estava nascendo um disco histórico, o álbum punk mais vendido dos anos 80?
Sim, eu sabia que tinha um sucesso em minhas mãos. Mas infelizmente não foi assim desde o início. O disco foi um completo e total fracasso comparado aos outros discos punks (lançados pela Frontier) como do Circle Jerks e os Adolescents. Então a (rádio) KROQ começou a tocar Institutionalized o tempo todo e as vendas começaram a melhorar. Um ano depois, Glen insistiu em fazer um videoclipe de Institutionalized (dirigido por Bill Fishman) para a MTV e eles começaram a passar feito loucos! Então isso superou completamente as vendas dos outros LPs de punk.

Qual a sua música preferida?
Sinceramente, deve ser Memories of Tomorrow. O riff the guitarra nessa música ainda me deixa abismada.

Como foi o fim da relação entre o ST e a Frontier?
Terminou antes mesmo de começar. Eu tinha a banda apenas para fazer o primeiro álbum e depois eles seguiram seu caminho. Eu nunca estive próxima do Mike Muir, ele me odiava desde o início. Eu gostava dele, apesar disso!

Como foi relançar uma edição especial do álbum em vinil 25 anos depois?
Eu realmente não ouvia o disco há muito tempo, então fiquei muito orgulhosa de ter relançado um álbum que tanta gente amou durante todos esses anos. Até os filhos deles compram uma cópia agora!

A reedição em vinil do disco de estreia do ST lançada pela Frontier

Qual é a situação atual da Frontier?
Você quer dizer se nós ainda estamos por aí? Sim! Eu não lanço tantos discos novos, apenas reedições de discos antigos de punk como Middle Class e os Weirdos. Nós estamos aguentando, mas 2009 está sendo um ano terrível. Não vejo a hora de ele acabar e a economia mundial começar a se recuperar.

BÔNUS

Mais entrevistas com Lisa Fancher: aqui e aqui.

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ENGLISH VERSION

Gettin’ on with the series of interviews from the blog, it’s time to show you a special participation, for two reasons: first, I’m talking about a relevant person in Suicidal’s career, and second, this person is a woman.

After all, it’s very hard to find anything wrote ou filmed about women in rock, except maybe for the pieces talking about the so-called groupies. When it comes to ST, I’ve never seen any deep abroad relating women and the band.

Lisa Fancher is a californian that has an enormous part to local punk scene. In the early ’80s, she formed Frontier Records, and not a long time after that she’s entered to history by releasing ‘Group Sex‘, the debut album of Circle Jerks.

Some time later, in 1983, she was conviced by her friend Glen E. Friedman to hire a band that was notorious for some controversy and their violent followers.

After that, it wasn’t just a few stories to tell. Such as, for instance, the fact that the debut album os Suicidal Tendencies, released by Frontier, would later become the best sold punk record in the 80’s.

When did you first hear about ST? What impress you the most that made you take them to Frontier?
I can’t exactly pinpoint the day or year but it was some time in 1982. Glen E. Friedman (who shot the Adolescents portrait shots on the Frontier LP) had become a good friend of mine and was also either just helping out Suicidal or actually managing them. He kept bringing me different demo tapes but I didn’t think the songs were very strong. To be quite honest, the band and their fans had a reputation for being violent which kind of made me nervous. Then Glen brought me a cassette that had Institutionalized on it and I knew the second I heard that song that it was a classic. The tape didn’t have a whole album’s worth of songs on it, maybe five? That’s over 25 years ago so it’s hard to remember!

How did they get the contract?
If Glen E. Friedman wasn’t officially their manager then, he became their manager when I said I wanted to release their debut album. I just signed them for the one record, not sure if that was at their insistence or if I was just trying to sign them without any hassle. The contract negotiations weren’t difficult as I recall.

Amery Smith said that their first record was recorded in one single day in the interview I made with him (“no computers, Pro Tools or Digital Performer or Cubase or Logic or Reason, there were no edits, all played live”). What do you recall from that session?
The LP was not made in a day. I’m going to say five days including mixing. Most of my early punk records were made in  two to three days but I knew I had to take a little more time for this one. I remember we did a lot of guitar overdubs with Grant Estes and it was well worth the extra time and money!

Even at their early age, ST had already a controversial reputation. Was this positive or negative to Frontier?
Ultimately it worked in my favor, they were VERY notorious in Los Angeles and their fans were legendary for being violent and wrecking night clubs. And certain members of the band also were known for this bad thing or that bad thing. I won’t repeat these rumors but I know all about them. TSOL also had a bad reputation and it just made the kids love them more. As it turns out ST’s own fans did hurt the band in terms of playing in Los Angeles, they were banned for years after their fans basically destroyed the seats in a venue called Perkins Palace. I think this was late ’83 or maybe ’84. It’s not like the band asked their fans to get in fights or destroy property but they couldn’t control it either.

There’s another rumor relating the band and the LA gangs, was this a concern for you at the time?
I don’t think you could call their fans real gang members, they were known as Cycos and were sort of their own gang. Glen E Friedman did a great job of photographing their homemade Suicidal shirts as you see on the LP cover. Those are the real thing, we didn’t ask anyone to make a shirt like that!

And there’s yet another rumor that says ST was ‘convinced’ by FBI to change the title of “I Shot Reagan”, that remained “I shot the Devil”. Did that happen?
Not exactly… They called the song “I Shot Reagan” (former president of the US) but as it’s a crime to even joke about killing the president in the USA, I asked them not to call it that on the LP jacket. I don’t know how but the FBI found out about the lyrics, probably someone’s mom or dad was pissed off about the record and turned us in! The FBI actually did telephone me about the matter and wanted to discuss it. I said they were merely lyrics to a song and promised them that the band didn’t have any intention of carrying it out. They dropped the matter as far as I know but they probably opened a file on the band just in case they kept saying to kill the president. Someone should use the “freedom of information” act to find out if there is an FBI dossier!

The LP artwork has become a classic cover, were you involved in that?
I trust Glen’s taste implicitly. I had nothing to do with the artwork other than paying for it and giving all the photos and logo to Diane Zincavage (art director of Frontier) to put together. And you’re right— it is a classic cover!

Back then, did you feel it was being made an historical album, that later turned out to be the most sold punk record in the ‘80’s?
Yes, I knew I had a hit on my hands. Alas it didn’t start out that way… The record was a complete and total failure compared to my other punk titles like the Circle Jerks and Adolescents. Then KROQ started playing “Institutionalized” all the time and it started to sell very well. A year later Glen insisted on making a video of “Institutionalized” (directed by Bill Fishman) for MTV and then they started playing it like crazy! Then it completely eclipsed the sales of the other punk LPs.

What’s your ST favorite song?
Honestly, probably Memories of Tomorrow. The guitar riff on that song still kicks my ass.

How the relationship between ST and Frontier finished?
It was over before it started. I just had them for the one record and then they went on their way. Never got along with Mike Muir, he hated me from the start. I liked him though!

What was the feeling on releasing a special vinyl edition of the álbum 25 years later?
I hadn’t really listened to it for a long time so it made me very proud that I had released an album that so many people have loved over the years. Even their kids buy a copy now!

What’s happening to Frontier these days?
Do you mean are we still around? Yes! I don’t really put out many new records, just reissues of vintage punk like Middle Class and the Weirdos. We’re hanging in there but 2009 has been a horrible year. Can’t wait til it’s over and the economy worldwide starts to recover from this.

BONUS

More interviews with Lisa Fancher – 1 e 2.

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Mais ST na história…

Seguindo a indicação do Fabian (reforçada pelo Lucas), fui conferir o documentário Get Trashed – A História do Trash Metal, de 2006. E eles têm razão. Ao contrário do que rolou em Botinada (justamente) e American Hardcore (injustamente), o Suicidal recebe o tratamento merecido.

Há um capítulo só para a banda no documentário. Com uma série de depoimentos e muitos elogios, de caras como o baterista do Anthrax  Charlie Benante, o ex-baixista do Megadeth David Ellefson e o vocalista do Hatebreed Jamey Jasta.

Tudo por conta da inestimável (na opinião deles e na minha) contribuição do ST ao trash, mais propriamente, ao crossover, junção do metal com o hardcore. E aí, grande parte dos méritos são concedidos ao Rocky George no filme.

Com toda a justiça. Mas faltou lembrar a influência de Ralph Herrera, com a sua batera com dois bumbos, e Mike Clark, riffeiro de mão cheia na guitarra base.

Quanto ao Suicidal, outro pecado do documentário, como alertou o Fabian, foi a ausência de testemunhais por parte de ex ou atuais integrantes da banda. Os caras conseguiram falar até com os marrentos Dave Mustaine (Megadeth) e Lars Ulrich (Metallica)! Imperdoável!

Pra fechar, publico uma foto absolutamente espetacular mostrada no filme que eu nunca tinha visto. Pra variar, obra do Glen Friedman, jornalista que registrou magistralmente todo o início da banda. Smith, Muir, Mayorga e Estes largados em um supermercado…

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Lance Mountain, skate, desenhos e Suicidal Tendencies

Quem passa por aqui manja como é a relação entre o ST e o skate. Começou lá na casca, entre os irmãos Muir: o skatista famoso e Z-Boy Jim, e Mike, o moleque pegando a trilha do rock. Desde então, são muitas as histórias em que estes dois mundos se encontram.

Uma delas envolve o lendário skatista Lance Mountain, ex-integrante da equipe Powell Peralta do também Z-Boy Stacy Peralta. Tudo começou por conta de uma “chantagem” de Glen Friedman, relembrada por Mountain em uma divertida/dolorida seção da revista Skateboarder, sobre as contusões no esporte:

Chipped teeth:
“Glen Friedman asked me if I wanted to go see the Toy Dolls and I said, ‘Yeah, Yeah.’ He said, ‘Oh, they’re playing with Suicidal Tendencies and I’ll get you in if you draw a Suicidal Tendencies shirt.’ So he got me in and during the second song I got pushed and my teeth got chipped out—and I stayed for the rest of the show.”

Pra quem não pescou a mensagem, traduzo livremente:

Dente lascado
“Glen Friedman perguntou se eu queria ir ver o Toy Dolls e eu disse, ‘Yeah’.  Ele falou, ‘Oh, eles vão tocar com o Suicidal Tendencies e eu ponho você para dentro do show se você desenhar uma camiseta do ST. Então, ele me pôs para dentro (sem malícia, pessoal!) e na segunda música eu fui empurrado e meu dente acabou lascado (?) – e eu fiquei pelo resto do show”.

Algo que começou meio na brincadeira, virou arte clássica do Suicidal, estampada até hoje em camisetas e adesivos da banda. Os originais, que vocês podem conferir abaixo, são avaliados atualmente em 5 e 10 mil dólares, respectivamente:

Lance Drawings

Os mesmos desenhos, agora no merchandise do ST, à venda no site oficial:

camisetasst

Material tão marcante que, mesmo tanto tempo depois, serve de inspiração para novos lançamentos. Recentemente, Lance Mountain acertou duas parcerias para recuperar esse trabalho.

A primeira delas, com a grife Heel Bruise, rendeu a seguinte camiseta:

lanceheel

E a outra, com a marca de skate Anti-Hero, pôs na praça os seguintes decks,  em uma série homenageando skatistas de renome:

antiherodecks

BÔNUS

– Quer se contorcer de dor com o prontuário completo de Lance Mountain na Skateboarder? Vai aqui.

– O skatista tem um site pessoal muito legal. Curiosidades infinitas sobre a carreira, muitas fotos, uma viagem sensacional para quem é fã do esporte. Chega lá.

– Vale também incluir por aqui mais uma peça da Heel Bruise, absolutamente fantástica, no manequim do próprio Mountain:

Que tal a expressão da fera?

Que tal a expressão da fera?

– Por aqui já tratamos da relação Suicidal e skate no excelente texto de Dudu Munhoz, em “Cinco rolês do ST pelos caminhos do skate”.

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Every ST fan knows about their relationship with skate.  It started a long time ago between the Muir brothers, the famous skateboarder Z-Boy Jim, and Mike, the brat who was getting the rock road back then. Ever since, a lot has happened envolving these two worlds.

One of the stories involves the legendary skateboarder, Lance Mountain (a former integrant from the Peralta’s team) and Glen Friedman. It was sort of a bet, which Mountain reminded in a joyfull/painfull  section from Skateboarder magazine about the sport bruising:

Chipped teeth:
“Glen Friedman asked me if I wanted to go see the Toy Dolls and I said, ‘Yeah, Yeah.’ He said, ‘Oh, they’re playing with Suicidal Tendencies and I’ll get you in if you draw a Suicidal Tendencies shirt.’ So he got me in and during the second song I got pushed and my teeth got chipped out—and I stayed for the rest of the show.”

It began as a joke, but it became and classical Suicidal art – stamped in a whole lot of tshirts and  stickers. The original art were valued recently for between $5.000 and $10.000, and it’s an inspiration for new releases until this day.

Recently, Lance Mountain has entered into two partnerships to recover this work. The first, with the clothing brand Heel Bruise, producing a tshirt. The other with the skateboard brand Anti-Hero, putting in the park decks honouring famous skateboarders.

Bonus

Dudu Munhoz has already written about the relations between ST and skate in this great post “Cinco roles do ST pelos caminhos do skate” (only available in Portuguese).

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Entrevista – Jon Nelson

Jon Nelson teve passagem curta pelo Suicidal. Assumiu a guitarra do grupo, por pouco tempo, entre 1983 e 84. Mesmo assim, construiu uma imagem muito forte entre os Cycos.

Boa parte desse fenômeno, pode ser creditada às lentes de Glen Friedman. O jornalista foi uma espécie de manager do ST nos “early years” e fez fotos fantásticas do então quarteto.

A principal delas, logo abaixo, parece resumir todo o universo da banda em seu início. Registro tantas vezes citado por aqui, mostra o ex-guitarrista em primeiro plano, ao lado de Mike Muir, Louichi Mayorga e Amery Smith. Tempos em que o ST buscava o seu espaço, partia para estrada e, principalmente, forjava uma identidade.

Nelson, em primeiro plano, Mike, Mayorga e Amery. Foto clássica de Glen Friedman

Nelson, Muir, Mayorga e Smith. Foto clássica de Glen Friedman

Como já contei pra vocês, nesta entrevista eu não precisei correr atrás – diferentemente do que rolou com Mayorga, Smith, Battson e Clark, os outros Cycos enquadrados.

Um dia desses, Nelson pintou pelo blog, após ter recebido a indicação de  um amigo. Naturalmente, aparição que foi motivo de grande alegria e orgulho para mim.

Logo o chamei por email e ele topou prontamente o papo. As respostas vocês conferem abaixo, em tradução livre do amigo da casa Renato Puppi. Mais de 25 anos depois, um  apanhado bacana sobre a época de Suicidal, os melhores e piores momentos com a banda e os dias atuais.

Como a maioria dos Cycos, você é local de Venice?
Sim. Nasci em Santa Monica, mas eu matava aula e ia para Venice sempre e conhecia todo mundo lá. Cresci em Culver City, que fica a uns 20 minutos de Venice e depois numa região perto de Hollywood, outro lugar em que eu circulei muito enquanto crescia. Conheço muita gente em Venice.

Yes. I was born in Santa Monica (right next to Venice). I used to ditch school and go to Venice beach all the time, growing up near by in Culver City, California. I grew up close to Hollywood also, so that’s another place I hung out a lot while growing up. I know pretty much everybody in Venice.

Você entrou para o Suicidal de que maneira?
Eu fui empresário e produtor de uma banda chamada Neighborhood Watch, que eram os “irmãos caçulas” do Suicidal Tendencies. Eles abriam shows do Suicidal, rolava um pogo violento e eu julgava o quanto uma banda era boa pela maldade do pogo durante os shows. Os do Suicidal eram sempre os mais violentos, daí eu convenci os caras que eles precisavam de um segundo guitarrista. Assim eu comecei a tocar guitarra base, mas antes da primeira turnê da época o Grant (Estes) saiu da banda e eu tive que aprender a fazer os solos dele.

I maneged & produced a band called Neighborhood Watch, who were like little brothers to Suicidal Tendencies. They openned for Suicidal once, and I liked the slam pit they had. I used to judge how good a band was by how mean their pit was. Suicidals’ pit was the roughest, so I told them they needed another guitar player. I was originally just going to play rhythm guitar, but at the time of the tour, Grant quit, and I learned all his solos.

Nelson nos tempos de Neigborhood Watch

Pouco antes de entrar para o Suicidal

O ST sempre foi associado às gangues de Venice. Em algum momento rolou uma relação direta?
Na última vez que eu abri a boca sobre isso o bicho pegou. Só posso falar da minha parte. Membros da minha família, do lado da minha mãe, tinham conexões com as gangues por vários anos, logo, eu sabia como a coisa funcionava quando tinha que lidar com esse assunto. Eu perdi um tio assassinado, atropelado 3 vezes seguidas.

The last time I openned my mouth about that, things got ugly. I can only speak for myself, really. Some my family on my mom’s side was connected to gangs over the years, so I knew how things worked, when it came to things like that. I lost an uncle who was murdered. Run over three times.

Qual o melhor momento que você viveu com a banda?
Alguns dos melhores momentos que eu tive com a banda passaram rápido. Eu lembro de um dia de folga durante uma turnê no Kansas em que a gente tocou numa festa numa casa. Outra vez a gente deu uma entrevista para a MTV pendurados de ponta cabeça. Maneiro. Eu tentava falar normalmente, enquanto eu sentia o sangue todo fluindo para a minha cabeça.

Some of the best moments I lived with the band went by very quickly. I remember us having a day off during a tour in Kansas and we played a house party. Another time I gave an interview to MTV hanging upside down. That was cool. I was talking normal, while blood was rushing straight to my head.

Descansando o esqueleto em turnê com a banda

Descansando o esqueleto em turnê

E o pior?
Quando eu falei demais quando devia ter ficado quieto, isso causou problemas para a banda e eles ficaram magoados comigo.

Probably when I openned my mouth when I should’ve kept it shut. It did some damage to the band. They were very upset with me.

A pergunta é meio desnecessária, mas… o fato de você tocar muitas vezes com os dentes é uma influência de Jimi Hendrix?
Sim, eu aprendi a tocar com os dentes com o Hendrix. Muita gente não acredita que ele tocava as cordas com os dentes, mas é verdade. Para falar a verdade, o Mike Clark toca com os dentes melhor que eu.

Yes. I learned to play with my teeth from Hendrix. Many don’t believe he actually plucked the strings with his teeth, but he did. Mike Clark plays with his teeth better than I do, actually.

Musicalmente, Hendrix influenciou de alguma forma o seu som no Suicidal?
Ainda bem que você perguntou especificamente sobre musica, porque eu peguei também várias outras influencias ruins do Hendrix. Muitas mulheres e drogas no decorrer dos anos. Você pode achar que foram só os solos, mas o Jimi Hendrix foi um dos melhores guitarristas base da historia. Ele sabia como deixar o som com muito mais “groove”.  Foi assim que eu escrevi “You got, I want”, que saiu no “Join the army”. Eu também escrevi “Human guineapig” e “Look up” que saíram na coletânea Welcome to Venice.

I’m glad you specified “In music”, because I picked up a lot of bad habits from Hendrix, as well. Many women & drugs over the years. You might think it was just in the solos, but Jimi Hendrix was probably one of the best rhythm guitarists that ever lived. He knew when to cool down and fall into a bitchen groove. That’s how I wrote “You got, I want”, that wound up on “Join the army”. I also wrote “Human guineapig” and “Look up” on the first Welcome to Venice compilation.

Degustando a guita ao lado de Mayorga e Smith, escondido na batera

Degustando a guita como o ídolo Hendrix, ao lado de Mayorga e Smith, escondido na batera

Por que você deixou a banda?
Eu queria contar as minhas próprias músicas, acabei tocando com os Red Hot Chili Peppers por um tempo curto, eu era bem amigo do Flea na época que ele tocava no Fear. Os Chili Peppers eram o projeto paralelo dele, alem disso ele tocava com varias outras bandas que estavam em LA na época (Circle jerks, P.I.L., Mick Jagger, etc.). Com isso eu aprendi o que precisava sobre como as coisas funcionam nesse meio e comecei uma “mega bandinha” chamada Screaming Fetus com o Amery Smith, Mike Clark e John Flitcraft (do Nieghborhood Watch). Glen Friedman conseguiu um contrato com a Profile records e mudou o nome da banda para The Brood.

I wanted to sing my own songs. I wound up playing with the Chili Peppers for a little while. I was good friends with Flea when he played in Fear. The Peppers was his side project while sitting in with everybody in town (Fear, Circle jerks, P.I.L., Mick Jagger, etc.). I had learned what I needed to know about the business, and started a little super group called Screaming Fetus with Amery Smith, Mike Clark, and John Flitcraft (from Nieghborhood Watch). Glen Friedman got me a record deal with Profile records and he changed the name to The Brood.

É verdade que você trocou os direitos autorais sobre War Inside My Head por uma guitarra Flying V?
Sim. Pouca gente sabia disso. Eram os meus direitos autorais de tudo que eu escrevi para o Suicidal. Eu pedi um pouco de dinheiro, só para formalizar e deixar a coisa mais legítima, não era nada demais. Acho que eles se espantaram, mas o Mike Muir sabia que eu queria aquela guitarra de volta, eu tinha vendido para ele durante uma turnê. Era um protótipo feito para o Eddie VanHalen por um amigo meu. O Eddie não quis. Eu fiquei com ela por alguns anos, parecia de mármore. Muito maneira.

Yes. Not too many people know about that. It was all copyrights to everything I wrote for the band. I asked for a little bit of money, just to make it legitimate, which was no problem. I think they were surprised, but Mike Muir knew I wanted my guitar back that I had sold him while we were on the road. It was a prototype made for Eddie VanHalen by a friend of mine. Eddie didn’t want it, tho. I had that thing for years. It looked like marble. Pretty cool.

Com Muir, em North Hollywood

Com Muir, em North Hollywood

Em uma entrevista sua no Youtube, você não comenta nada sobre o ST. Alguma mágoa com esse tempo?
Não, problema nenhum. Nós gravamos a entrevista uma tomada só e o Tony (Verley) esqueceu de me perguntar sobre o Suicidal e os Chili Peppers. Não tenho nenhum sentimento ruim dessa época.

No. No problem. We did it in one take, and Tony forgot to ask me about Suicidal and the Chili Peppers. I have no bad thoughts about the band at all, really.

Atualmente, você mantém algum relacionamento com o Muir ou outros membros e ex-membros do grupo?
Mike Clark e o Louie Mayorga são bons amigos meus. Eu acabei sacaneando com outros caras com quem eu queria me redimir no passar dos anos. Não são situações que não tem volta. Eu encontrei o Mike Muir no House of Blues (casa de shows em LA) ha um ano e pouco atrás.

Mike Clark & Louie Mayorga are good friends of mine. I did screw other people over along the years that I’d like to make it up to some day. I never burn bridges. I saw Mike Muir at The House of Blues a year or so ago.

Foto recente: Nelson sempre no rock

Foto recente: sempre no rock

O que você faz atualmente?
Por vários anos eu fiquei afastado da música vivendo uma vida normal, não eu não sirvo muito bem para isso. Hoje tenho 46 anos e música e doidera são as coisas que eu faço melhor, voltei à ativa em 2004. Em 2006 formei o NASTY HABITS, que lançou um disco agora no meu próprio selo, Deeder Deets Records. Eu tenho um canal no Youtube/DeederDeets onde eu despejo material regularmente. No Unforgiven4 também tem musicas e fotos do NASTY HABITS.

For many years I left music and lived an ordinary life, but I’m not very good at it. Today I am 46 yrs old. Music and craziness is what I’m best at, so I got back into it in 2004. NASTY HABITS is the band I started in 2006. Our album is out now on my own label, Deeder Deets Records. I have a Youtube/DeederDeets channel that I dump footage into regularly. Unforgiven4 is where the music and pictures are for NASTY HABITS.

Em ação com a banda nova

Em ação com a banda nova

Você comentou sobre um projeto de filme sobra e sua vida. Como será isso?
Atualmente estou escrevendo um filme sobre a minha vida com o pseudônimo de Josh Nigels, um guitarrista que tocou no Homocideal Tennis-shoes e os  The Flaming Habaneros, parodiando Suicidal Tendencies e Chilli Peppers. Tem também um produtor queria fazer um reality show comigo ano passado, ia se chamar “Que fim levou Jon Nelson?”, ainda pode ser que dê certo. Nesse tipo de negocio, muita coisa precisa estar certa para que algo aconteça. Por isso é que eu faço muita coisa sozinho. Estudei produção, business e marketing musical na UCLA quando terminei o highschool. Uns anos depois, quando eu toquei com o Suicidal, dei a idéia para o Mike (Muir) e o Louie (Mayorga) para que eles começassem gravadoras próprias e eles acabaram fazendo isso.

I am currently writing a movie about my life with a ficticious name, Josh Nigels who played guitar for Homocideal Tennis-shoes and The Flaming Habaneros. A producer wanted to do a reality show about me last year called, “What ever happened to Jon Nelson?” that still might happen. Many things need to be in place before they happen in this business, tho. That’s why I do so much myself. I studied record production, music business and marketing at UCLA when I dropped out of highschool. A few years later when I played in Suicidal, I gave Mike & Louie the idea to start their own record labels, which they eventually did.

BÔNUS TRACK
Duas entrevistas recentes de Jon Nelson. Confiram!

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