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Bluesy!

Não se trata da discussão sobre o melhor solo de guitarra da história do Suicidal. Mas, sim, daquele que é, na minha opinião, o mais rock and roll de todos os registrados em discos da banda.

A partir dos 3 minutos e 42 segundos dá pra entrar na onda…

A música de uma forma geral é sensacional, um clássico da esculhambação juvenil aditivado por uma boa dose de humor negro. Nada mais adequado para o disco de estreia de uma conjunto batizado Suicidal Tendencies.

Mas voltemos ao solo escrito e executado pelo excelente Grant Estes. Gosto especialmente do trecho que se desenvolve a partir dos 3 minutos e 56 segundos.

Mayorga e Estes nos velhos tempos do ST, início dos anos 80.

Não tenho conhecimento técnico de guitarra. Mas, talvez, nem seja preciso, pois o que impressiona mesmo é o feeling da parada. De qualquer forma, a rapaziada que manja pode (e deve) dar o veredito nos comentários. Pedi um pitaco pro Louichi Mayorga e ele mandou o que segue…

“One of my favorites too, the lead should of went one extra measure, like 5 seconds. But,  yeah! Grant likes it too! Bluesy!”.

Bluesy… taí, talvez seja a melhor definição.

Curiosamente, Estes acabou sucumbindo ao hair metal de Los Angeles após deixar os Cycos, já batendo na porta dos anos 90. E numa banda chamada Hostage, deitou o virtuosismo na guita. A Flying V empunhada por ele na foto acima já sugeria uma caminhada desse tipo.

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ST Tour – Streets of Venice

Inicio a mini-tour ST pela casa que hospedava a Streets of Venice, skate shop gerenciada por Mike Muir. O endereço na Lincoln Boulevard foi nossa última parada no passeio guiado por Louichi Mayorga.

No imóvel de dois andares onde hoje está hospedada uma enigmática House of Tarot, o Suicidal gravou o clipe de How Will I Laugh Tomorrow, apresentando, entre outras coisas, um Muir revoltado arrancando posters fantásticos do grupo da parede e Bob Heathcote dedilhando o baixo no banheiro. Como destaque, o vocalista e Rocky George finalizando a música em cima do telhado, iluminados pelo pôr do sol da California.

Revendo a peça, pude constatar que o cenário mudou muito se comparado ao verificado lá no final da década de 90. Natural, em se tratando de uma região cada vez mais em expansão como Venice. A antiga morada do presidente-cyco também sofreu diversas alterações. A mais significativa é a adição dos toldos.

Pesquisei, mas não consegui desvendar qual a relação da Streets of Venice com a Dogtown Skates, marca do Z-Boy Jim Muir, irmão de Mike. Imagino que a proximidade tenha sido total, por motivos óbvios.

O que sei é que a loja renasceu, pelo menos em seu nome (veja o site). Hoje se encontra em Culver City, sob o comando de Daniel Clements, ex-vocalista do Excel, formação clássica de Venice. O novo gerente também participou da reedição do velho ST, ao lado de Mayorga, Grant Estes e Amery Smith, sob o nome de AgainST.

Mais detalhes da velha skate shop e residência oficial do Muir, abaixo publico o clipe de How Will I Laugh Tomorrow.

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Institucionalizado

Às vezes eu tento fazer as coisas, e nada funciona do jeito que eu imaginava. Eu fico frustrado. Eu tento muito, gasto meu tempo, mas não dá certo o que eu queria. Eu me concentro muito, mas não tem jeito. E tudo que eu faço, tudo que eu tento, nunca dá certo. Eu preciso de tempo para pensar.

Tem sempre alguém me dizendo… “Mike, a gente soube que você tem passado por vários problemas ultimamente, sabe. Talvez você devesse sair, falar sobre isso, você se sentiria bem melhor”.

Eu digo: “Não, está tudo beleza. Eu resolvo. Só me deixe sozinho. Eu me viro”.

E eles dizem: “Bem, se você quiser falar sobre isso, eu estarei aqui, sabe. E você, provavelmente, se sentirá bem melhor se falar sobre tudo isso. Então, por que você não fala sobre isso?”.

Eu falo: “Não! Eu não quero! Estou bem! Eu resolvo sozinho”.

Mas eles continuam me aborrecendo. Continuam me enchendo. E isso me deixa furioso!

Então você vai ser institucionalizado
Você virá com o seu cérebro lavado e com os olhos vermelhos

Você não terá nada a dizer
Eles irão lavar seu cérebro até que você aja do mesmo modo que eles

Eu não estou louco (Instituição!)
Você é que está louco (Instituição!)
Você está me deixando louco (Instituição!)

Eles me prendem numa instituição
Dizem que é a única solução
Para me dar a ajuda profissional necessária
Para me proteger do inimigo: eu mesmo

Eu estava no meu quarto, e estava olhando para a parede pensando em tudo, mas então, novamente, eu não estava pensando em nada. E então minha mãe chegou, e eu não sabia que ela estava lá. Ela chamou meu nome mas eu não a ouvi
Então ela começou a gritar: “Mike! Mike!”
E eu digo: “O quê? Qual o problema?”
Ela diz: “Qual o problema com você!?”
Eu digo: “Não há nada errado, mãe”
Ela diz: “Não me diga isso! Você está drogado!”
Eu digo: “Não, mãe. Eu não estou drogado. Eu estou bem. Só estou pensando. Por que você não me traz uma Pepsi?
Ela diz: “Não! Você está drogado!”
Eu digo: “Mãe! Eu estou bem. Só estou pensando”
Ela diz: “Não! Você não está pensando, você está drogado. Gente normal não age assim”
Eu digo: “Mãe, só me traz uma Pepsi, por favor. Tudo que eu quero é uma Pepsi”
E ela não queria me dar!
Tudo que eu queria era uma Pepsi!
Só uma Pepsi!
E ela não me dava!
Só uma Pepsi!

Eles te dão uma camisa branca com mangas longas
Enlaçadas nas suas costas, te tratam como ladrões
Te drogam porquê são preguiçosos
Dá muito trabalho ajudar um louco

Eu não estou louco (Instituição!)
Você é que está louco (Instituição!)
Você está me deixando louco (Instituição!)

Eles me prendem numa instituição
Dizem que é a única solução
Para me dar a ajuda profissional necessária
Para me proteger do inimigo: eu mesmo

Eu estava sentado no meu quarto e minha mãe e meu pai chegaram. Então eles puxam uma cadeira e se sentam.
Eles dizem: “Mike, precisamos falar com você”
E eu digo: “OK. Qual o problema?”
Eles dizem: “Eu e sua mãe temos ouvido falar que você tem passado por vários problemas. E você tem desaparecido sem razão alguma. E nós estamos com medo de que você vá machucar alguém. Estamos com medo de que você se machuque. Então nós decidimos que seria de seu interesse se colocássemos você em algum lugar onde você possa conseguir a ajuda que precisa”
E eu digo: “Espere! Do que vocês estão falando? “NÓS decidimos”? “MEU interesse”? Como vocês podem saber qual é o meu interesse? Como vocês podem dizer qual é o meu interesse? E o que vocês estão tentando dizer? EU estou louco? Quando eu fui para as SUAS escolas, eu fui para as SUAS igrejas, eu fui para os SEUS institutos de facilitação de aprendizado! Então como vocês podem dizer que eu estou louco?”

Eles dizem que vão consertar meu cérebro
Aliviar meu sofrimento e minha dor
Mas enquanto eles consertam minha cabeça
Mentalmente, eu estarei morto

Eu não estou louco (Instituição!)
Você é que está louco (Instituição!)
Você está me deixando louco (Instituição!)

Eles me prendem numa instituição
Dizem que é a única solução
Para me dar a ajuda profissional necessária
Para me proteger do inimigo: eu mesmo

Não importa. De qualquer forma, eu, com certeza serei atropelado por um carro…

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Lights, Camera… ST! – 9

A imagem do video abaixo é péssima, assim como o som. Porém, vale pelo registro histórico. O ST tocando Subliminal (uma das minhas top 5), em seus primeiros anos de vida.

Serve também como curiosidade. Pois, na apresentação, o Suicidal contou com dois guitarristas — bem antes da entrada de Mike Clark, em 1989, quando a banda tornou-se, definitivamente, um quinteto.

Não vou fazer a sacanagem de perguntar quem é o 5º elemento, pois mal dá para enxergá-lo. Mas fui pesquisar e descobri que trata-se de Rick Battson. Os demais integraram a formação que gravou o primeiro álbum: Muir, Estes, Mayorga e Smith.

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Um desejo para 2010

* with english version below

Uma turnê mundial celebrativa do Suicidal.

Na primeira parte do show, Mike Muir, Louichi Mayorga, Grant Estes e Amery Smith tocariam as 12 músicas do álbum de estreia — certamente, seriam 30 minutos inesquecíveis.

ST do primeiro álbum novamente junto: Mayorga, Estes, Smith e Muir.

No fundo do palco, um painel gigante pintado pelo Ric Clayton, responsável pelos desenhos de várias das camisas que ilustram a capa do disco de 83, além de flyers de shows.

No segundo ato, Muir permanece, agora acompanhado por Rocky George, Mike Clark, Robert Trujillo e Ralph Herrera. Formação clássica para executar os grandes hinos dos discos posteriores.

ST clássico: Trujillo, Clark, George, Muir e Herrera.

Para fechar, claro, Pleadge Your Allegiance com as duas versões do grupo juntas… ST! ST! ST!

****************ENGLISH VERSION****************

My desire for the new year.

A celebration ST world tour.

On the first parte of the show, Mike Muir, Louichi Mayorga, Grant estes and Amery Smith would play the 12 songs of their debut album – it would be 30 minutes to remember.

Back of the stage, a giant panel painted by Ric Clayton, who is the artist behind the design on several tshirts that ilustrate the cover of the 83 album, beside flyers of old concerts.

By the 2nd act, Muir stays on the stage, now with Rocky George, Mike Clark, Robert Trujillo and Ralph Herrera – the classic lineup that would play the great anthems from the other records. For the closing up, of course, Pleadge Your Allegiance with the both Cyco versions together.

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Mais ST na história…

Seguindo a indicação do Fabian (reforçada pelo Lucas), fui conferir o documentário Get Trashed – A História do Trash Metal, de 2006. E eles têm razão. Ao contrário do que rolou em Botinada (justamente) e American Hardcore (injustamente), o Suicidal recebe o tratamento merecido.

Há um capítulo só para a banda no documentário. Com uma série de depoimentos e muitos elogios, de caras como o baterista do Anthrax  Charlie Benante, o ex-baixista do Megadeth David Ellefson e o vocalista do Hatebreed Jamey Jasta.

Tudo por conta da inestimável (na opinião deles e na minha) contribuição do ST ao trash, mais propriamente, ao crossover, junção do metal com o hardcore. E aí, grande parte dos méritos são concedidos ao Rocky George no filme.

Com toda a justiça. Mas faltou lembrar a influência de Ralph Herrera, com a sua batera com dois bumbos, e Mike Clark, riffeiro de mão cheia na guitarra base.

Quanto ao Suicidal, outro pecado do documentário, como alertou o Fabian, foi a ausência de testemunhais por parte de ex ou atuais integrantes da banda. Os caras conseguiram falar até com os marrentos Dave Mustaine (Megadeth) e Lars Ulrich (Metallica)! Imperdoável!

Pra fechar, publico uma foto absolutamente espetacular mostrada no filme que eu nunca tinha visto. Pra variar, obra do Glen Friedman, jornalista que registrou magistralmente todo o início da banda. Smith, Muir, Mayorga e Estes largados em um supermercado…

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Cycos na escola…

Três molecotes, como todos os outros, em tempos de colégio. Nada do visual  agressivo, típico das ruas, que viraria referência mais tarde. De rock mesmo, só o cabelo comprido.

Mike Muir com uma juba, digamos, bem diferenciada. Grant Estes, mais ou menos no jeitão dos tempos de banda. E destaque absoluto, claro, para o Ralp Herrera, um cover mal-acabado do policial Frank Poncherello, do seriado clássico Chips.

Dessa mesma turma, de alguma escola da California, provavelmente em Santa Monica, ainda fazia parte o ator Emilio Esteves, filho mais velho do ator Martin Sheen e irmão de Charlie Sheen. Falando nele, algum tempo depois do convívio em sala de aula, Esteves reencontraria o Suicidal. Ele foi o protagonista do filme Repo Man, que contém Institutionalized na trilha sonora, entre outras pérolas da pauleiragem oitentista.

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Ralph Herrera

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Entrevista – Rick Battson

Mais uma entrevista para o blog. Desta vez, Rick Battson. Guitarrista, 44 anos, ele fez parte do Suicidal entre o final de 1981 e 82. Falou comigo por email, diretamente de Westchester, California. Segue naquele mesmo esquema de sempre Publicada em inglês, para quem manja, e traduzida livremente para o português (e quem tiver alguma correção é só falar).

Como você entrou para a banda?
Acho que o Amery (Smith) falou sobre mim para eles. Minha primeira banda foi com ele e o Bob Heathcote, que também tocou com o ST em outro momento.

I think Amery told them about me. My first band was with Amery and Bob Heathcote who also played in ST at a different time.

Battson, na guitarra, e Muir no início dos anos 80

Battson, na guitarra, e Muir, no início dos anos 80

Qual foi o seu melhor momento com o Suicidal? E o pior?
Um pouco dos dois. Nós tocamos em uma confusão em Huntington Park. Nós estavávamos tocando com o The Exploited, o clube tinha capacidade para 700 pessoas, algo assim, e tinha entre mil e 1.500 pessoas tentando entrar. A polícia chegou quando nós estávamos tocando e disse para parar ou iam levar todos para a cadeia e o equipamento seria apreendido. O estojo de bateria, onde estavam as chaves da Picape Chevy quatro-portas do pai do Amery, foi roubado. Então nós tivemos de empurrá-la para baixo no beco. Tiramos as camisetas e tentamos nos misturar com os locais, porque os Cholos estavam esfaqueando pessoas que se parecessem com punk rockers. A irmã do Amery, Dominy, finalmente trouxe as chaves, mas nós acabamos atingidos pelos cacetetes dos policiais. Foi uma loucura.

A little bit of both. We played a riot in Huntington Park.We were playing with The Exploited. The club could hold like 700 or something like that, and there was like 1.000 or 1.500 trying to get in. Police came in while we were playing and said stop or we were going to take everyone to jail and are gear would be impounded. We got the drum case with the keys to the big 4 door Chevy Pickup Amery’s dad had stolen. So we had to push it down the alley, take are shirts off and try to blend in with the locals, because cholo’s were stabbing people that looked like punk rockers. Amery’s sister, Dominy, finally brought the keys. But we got hit by nightsticks by the cops. It was insane.

O Suicidal sempre foi associado à gangues. Em algum momento, existiu uma relação direta?
Talvez algumas pessoas possam ter tido amigos que estavam agitando, mas eu não sei.

Maybe some people might have had friends that were bangin but I don’t know.

Por que você deixou o ST?
Eu fui idiota. Pensava que ninguém apreciava a minha musicalidade. Eu pensava que as pessoas estavam lá para “bash someone’s face in” (?). O Grant (Estes) aprendeu a minha demo e gravou o disco. Bem, às vezes as coisas acontecem assim. Foi muito divertido, toquei em alguns shows loucos.

I was stupid. I thought nobody appreciated my musicianship. I thought the people were there just to bash someone’s face in. Grant learned my demo then recorded the record. Oh, well, that how it goes sometime. It was super fun, played some crazy shows.

Atualmente, você tem alguma relação com integrantes da banda?
Estou numa boa com Muir. Eu falo com o (Mike) Clark todo o tempo e sou amigo do Dean (Pleasants). Um dos meus melhores amigos é o Roberto Trujillo.

I’m cool with Muir. I talk to Clark all the time and I’am friends with Dean. It’s all good. One of my best friends is Robert Trujillo.

Battson (à direita de Mike Clark) nos bastidores de um show do ST

Battson (à esquerda de Mike Clark) nos bastidores de um show do ST

O que você faz atualmente?
Eu tenho um estúdio e sigo tocando guitarra todo dia. Eu nunca parei. Estou afim de tocar numa banda legal. Eu tenho gravado com o Amery e Louie (Louichi Mayorga) um pouco. Eu surfo e amo a vida.

I have a studio and still play guitar everyday. I never stopped. I’m down to play in a cool band. I have been recording with Amery and Louie a bit. I surf and love life.

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Entrevista – Amery Smith

Depois do papo com o Louchi Mayorga, é a vez de Amery Smith aparecer por aqui em outra entrevista exclusiva. Basicamente, o mesmo esquema.  Achei o cara no Myspace (bendito seja!) e propus a conversa. A partir daí, trocamos quatro emails desde a semana passada, com o ex-batera do ST sempre muito camarada!

Como o chapa Mayorga, Smith segue na California, trabalhando como técnico de bateria — já trampou com Beastie Boys, por exemplo. Recentemente, embarcou no projeto do ex-baixista pra formar um “quase” Suicidal,  o AgainST, contando também com Grant Estes.

Amery Smith, foto recente

Amery Smith, foto recente

Foram cerca de três anos com o grupo, entre 1983 e 85. Período em que ele gravou o primeiro e clássicaço álbum. Ao sair da banda, foi substituído por R.J. Herrera.

Na entrevista, Smith deu uma geral caprichada em seu tempo de Cyco. Como assumiu as baquetas, do grupo a primeira turnê pela América, gangues, violência, relação com ex e atuais membros, skate, Dogtown…

Mais uma vez, optei por publicar as respostas em português (tradução livre!) e inglês.

Como outros Cycos, você é local de Venice?
Eu sou de Praia Del Rey. Meus pais viveram em Venice e os dois se formaram na Venice High School nos anos 50. Eu passei meu primeiro ano de vida em Venice, então nos mudamos umas três milhas para o sul, para Praia Del Rey, onde eu vivi com meu pai depois de ele se separar da minha mãe. Minha mãe permaneceu na casa de Venice.

I am from Playa Del Rey. My mother and father lived in Venice and both went to and graduated Venice High School in the 50’s. I spent the first year of my life in Venice, then moved with the family about three miles south, to Playa del Rey, where I lived with my father after my parents split up. My mother stayed at the house in Venice.

Como você entrou para o Suicidal?
O Neighborhood Watch tocou em uma festa de quintal em Praia Del Rey, e eles tinham Suicidal/Venice seguidores. Eu tinha uma banda nessa época e abrimos para o NW nessa festa. No dia seguinte, eu recebi uma ligação do Mike Muir me perguntando se eu gostaria de experimentar com o ST. E eu aceitei.

Neighborhood Watch played a backyard party at the house in Playa Del Rey and they had a Suicidal/Venice following. I had a band at the time and we opened for Neighborhood Watch at the party. The next day I got a phone call from Mike Muir asking me if I wanted to try out for Suicidal Tendencies. And I said yes.

Com o ST, início dos anos 80

Com o ST, início dos anos 80

Qual o significado de Awol? (Ele é conhecido por Amery Awol Smith).
É um apelido que o DJ Hurricane dos Beastie Boys me deu no início dos anos 90. Eu nunca estava onde era para eu ir. Então Cane apenas disse que eu era awol. (Com a colaboração do camarada Renato Puppi, segue o significado de Awol: “absent without leaving, é quando o cara some sem se desligar formalmente de algo, ppte no exército”).

A nickname DJ Hurricane from the Beastie Boys gave me in the early 90’s. I was never where I was supposed to be. So Cane just said I was awol.

O ST sempre foi associado às gangues de Venice. Especialmente, por conta de um boné que você usou no encarte do primeiro álbum, com a inscrição V13 (da gangue Venice 13). Em algum momento, houve uma relação direta?
O boné pertencia ao irmão do Louichi. Ele pode explicar melhor essa história. (nota: na entrevista ao blog, Mayorga revela que seu irmão era integrante da gangue).

The hat belonged to Louichi’s brother. Louichi can elaborate on that story.

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Quem teve a ideia de se pendurar de ponta cabeça na capa do primeiro álbum? Aquela estrutura ainda existe?
Não me lembro de quem foi essa ideia. O globo não existe mais, ele foi tirado há uns 10 anos, mais ou menos.

I can’t remember who’s idea it was. The globe does not exist anymore, it has been gone for ten years or so.

O fotógrafo Glen Friedman fez algumas fotos clássicas perto de sua casa em Playa Del Rey. Onde era essa casa? Você ainda mora lá?

Adoro essa foto. Essa casa é a mesma onde o Neighborhood Watch tocou na festa de quintal que eu mencionei antes. É a casa do meu pai, Valor, ela ainda está lá e ele continua morando nela. É a mesma onde o Suicidal Tendencies ia praticar, e meu pai nos deixava usar seu 1972 4 Door Chevrolet Pick-Up Truck com uma barraca (?) para a primeira turnê pelos Estados Unidos, creio que em 1983. Com certeza nós éramos todos adolescentes nesse tempo. Eu era.

Foto hitórica. Nelson, Muir, Mayorga e Smith

Foto hitórica. Nelson, Muir, Mayorga e Smith

I love that Picture. That house is in Playa del Rey, that is the same house where Neighborhood Watch played the backyard party I mentioned earlier. It is my fathers house. The house is still there, and my father, Valor, still lives there. This is the same house where Suicidal Tendencies would practice, and my Father let us use his 1972 4 Door Chevrolet Pick-Up Truck with a camper on it to do the first ever Suicidal Tendencies US Tour, 1983 I think. Pretty sure we were all still just teenagers at the time. I know I was.

Qual foi melhor momento que você viveu com o ST? E o pior?
O melhor para mim foi tocar com o Minor Threat no Vale de Los Angeles, começo dos anos 80. O pior foi a violência.

The best for me was playing a show with Minor Threat out in the Valley of Los Angeles in the early 80’s. The worst was the violence.

Que tipo de violência?
Era apenas a violência em geral, como parte de toda uma cena. Não era apenas em Venice/Los Angeles, mas no país, se não no mundo. Eu realmente não via a sua necessidade e ainda não vejo. Eu entendo que os garotos serão garotos, e aparecer em grupo, vindo para uma “cena”, é uma forma segura, quando todos estão olhando para você de lado, e querendo saber de onde você é, ou quem você anda. Mas é isso que é escutar música? Para muitos garotos, tenho certeza, era isso, e isso é completamente derrent (?) para a cena local, desliga geral. Por exemplo, por que você teria de se preocupar quando vai ver uma de suas bandas favoritas?

It was just the violence in general as part of the entire scene. It was not just in Venice/Los Angeles, but nation, if not world wide. I just did not really see its necessity and I still don’t.  I understand that kids will be kids, and being down with a set is a form of security in numbers when you are coming onto a scene and when everyone is looking at you sideways and wondering where you are from, or who you are down with but is that really what enjoying music is all about? For a lot of kids I am sure, this was, and is a complete deterrent to their local music scene and a turn off in general. For example, why would you want to have to worry about getting beat up if you had plans to go see one of your favorite bands?

Você comandou a bateria no disco de estreia. Como foi a gravação desse álbum clássico?
Nós estávamos fazendo muitos shows na época e praticando bastante. Penso que estávamos bem de saco cheio uns dos outros, isso pode explicar um tanto da energia. Lembre-se, estamos falando de um bando de adolescentes que não tocava há muito tempo e a nossa filosofia era “vamos pirar nisso”, não era para ser perfeito, nunca foi. A gente executava as músicas de forma diferente a cada vez. O que era ótimo, pois nos dava uma sensação de liberdade. A gente praticava na seqüência do disco, então o que você ouve era o que tocávamos e gravamos no estúdio. Nós não tínhamos muito dinheiro para gravar então todas as músicas foram feitas em uma noite, sem computadores, sem Pro Tools, Digital Performer, Cubase, Logic ou Reason, não teve edição. Foi tocado ao vivo, todos juntos na mesma sala, ao mesmo tempo. Eu acho que talvez Mike e Grant voltaram para fazer overdubs, duplicar e solos. E nosso dia seguinte, eu lembro que eu tinha de ir trabalhar cedo, então eu estava apressado para ir embora. Gravar um disco não era a prioridade no momento. Nós éramos apenas alguns garotos fazendo um disco punk.

O primeiro disco. Capa com os integrantes pendurados em um globo na Praia Del Rey

O primeiro disco. Capa com os integrantes pendurados em um globo na Praia Del Rey

We were playing a lot of shows at the time and practicing a lot so I think we were pretty sick of each other, that might explain some of the energy. Remember, we are talking about a bunch of teenagers who had not been playing very long at the time and the philosophy was “just get mad at it” it was not going to be perfect, it never was, and we usually played the songs a little different every time, which was great because it gave us a sense of freedom. We practiced in the sequence of the record, so what you hear on the record is the order that we played them and recorded them in the studio. We did not have much money for recording so all of the music was done in one night, no computers, no Pro Tools or Digital Performer or Cubase or Logic or Reason, there were NO edits, it was all played live, all of us in the same room playing together at the same time. I think maybe Mike and Grant went back for overdubs, doubling and solos and mixing the next day ? I remember I had to go to work early in the morning so I was in a hurry to get out of there, making that record was not a priority at the time. We were just some kids making a punk record.

Qual a sua música preferida? Por que?
Subliminal. Basta ouvi-la.

Subliminal. Just listen to it.

Por que você deixou o Suicidal.
Tinha chegado o momento…

It was time…

Atualmente, você tem alguma relação com Mike Muir ou outro membro ou ex-membro da banda?
Há alguns anos, quando o Ric Clayton (extraordinário artista do ST) ficou doente, eu mandei um email para o Mike para ver se ele queria fazer alguma coisa para ajudar a levantar algum dinheiro para ele. E ele nunca me respondeu. Foi tão chato. Eu saio com todos os outros, Louichi, Grant, Rocky, Mike Clark, Ralph (Herrera). Eu vejo Robert (Trujillo) socialmente de tempo em tempo e ele é uma grande pessoa. Eu não tenho visto Jon por algum tempo, mas ouvi que ele está pela área.

A couple of years ago, when Ric Clayton (Suicidal artist extraordinaire) got sick, I sent Mike an email to see if he wanted to do something to help raise some money for Ric. And he never got back to me, so I guess, I dont? Too bad. I am chill with everyone else, Louichi, Grant, Rocky, Mike Clark, Ralph. I see Robert socially from time to time and he is a great person. I have not seen Jon for a while but I hear he is around.

Recentemente, você, Grant Estes e Louichi Mayorga formaram o AgainST. Como foi essa experiência?
Foi muito divertido, e eu estou na expectativa de fazer mais.

It was fun, and I am looking forward to doing more.

E a experiência com os Beastie Boys?
Foi diversão por pouco tempo e depois não foi mais.

It was fun for a minute, and then not so fun.

O que você faz atualmente?
Eu tenho 45 anos e tenho boa certeza que quando estava na banda eu era o mais jovem e o único que realmente andava de skate. Além de fazer música quando o tempo permite, eu trabalho fazendo turnês como técnico de bateria. De vez em quando, trabalho como produtor. Eu trabalhei para Rage Against the Machine, One Day As A Lion, Queens of the Stone Age, Jimmy Eat World, The Mars Volta, Green Day e alguns oturos…

I am 45 years old. I am pretty sure that when I was in the band that I the youngest of the ST. And the only member of the band who actually actively rode a skateboard. Besides making music when time allows, I work with touring groups as a drum tech. Sometimes I work as a production manager. I have worked with Rage Against the Machine, One Day As A Lion, Queens of the Stone Age, Jimmy Eat World, The Mars Volta, Green Day and some others…

Continua andando de skate?
Sim, continuo! Mas estou velho e sou um Americano, então não tenho seguro de saúde e preciso tomar cuidado. Não sou bom, não pratico vertical ou qualquer coisa assim, mas adoro! E sim, havia muitos skatistas em volta na época, era um período de transição, os skateparks foram fechando, o street, as piscinas e rampas estavam em voga. Havia um quart pipe no beco próximo da casa dos meus pais em Playa Del Rey, não era propriedade de ninguém, então vários skatistas, o tempo inteiro, estavam por perto. Jay Adams, Tony Alva, Christian Hosoi e alguns da segunda geração de Dogtown, como Scott Oster e Aaron Murray, skatistas talentosos e boas pessoas.  Isso era parte de um estilo de vida.

Yeah, I still skate. But I am old and I am American so I do not have health insurance and I need to be careful. I am no good, no vert or anything like that, but I love it. And yeah, there were a lot of skaters around at the time, it was a transitional period for skaters, the Skateparks were closing down and street skating and backyard pools and ramps were in in vogue. There was a quarter pipe in the alley near my fathers joint in Playa del Rey, it was just in an alley, not on anybody’s property so there were people skating it all the time, Jay Adams was around, Tony Alva, Christian Hosoi and a couple of the second wave Dog Town riders, Scott Oster and Aaron Murray really talented riders and good people, It was indeed part of the lifestyle.

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After many years…

Em cima, a formação do ST responsável pelo registro do mítico álbum de estreia. Na sequência, os quatro novamente, pena que apenas para uma montagenzinha. Da primeira para a segunda foto, são pelo menos 25 anos de diferença (parece menos para o Amery Smith, dos quatro o que menos mudou nesse tempo todo).

O ST está muito bem servido atualmente, mas seria fantástico vê-los reunidos novamente, nem que fosse para um show apenas, tocando do início ao fim o clássico de 83. E creio que, para isso acontecer, basta convencer o Muir. Afinal, os outros três andaram tocando juntos recentemente, sob a alcunha de AgainST.

mil novecentos e oitenta e três…

sui19832

…muito tempo depois!

sui1983

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