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ST Tour – Streets of Venice

Inicio a mini-tour ST pela casa que hospedava a Streets of Venice, skate shop gerenciada por Mike Muir. O endereço na Lincoln Boulevard foi nossa última parada no passeio guiado por Louichi Mayorga.

No imóvel de dois andares onde hoje está hospedada uma enigmática House of Tarot, o Suicidal gravou o clipe de How Will I Laugh Tomorrow, apresentando, entre outras coisas, um Muir revoltado arrancando posters fantásticos do grupo da parede e Bob Heathcote dedilhando o baixo no banheiro. Como destaque, o vocalista e Rocky George finalizando a música em cima do telhado, iluminados pelo pôr do sol da California.

Revendo a peça, pude constatar que o cenário mudou muito se comparado ao verificado lá no final da década de 90. Natural, em se tratando de uma região cada vez mais em expansão como Venice. A antiga morada do presidente-cyco também sofreu diversas alterações. A mais significativa é a adição dos toldos.

Pesquisei, mas não consegui desvendar qual a relação da Streets of Venice com a Dogtown Skates, marca do Z-Boy Jim Muir, irmão de Mike. Imagino que a proximidade tenha sido total, por motivos óbvios.

O que sei é que a loja renasceu, pelo menos em seu nome (veja o site). Hoje se encontra em Culver City, sob o comando de Daniel Clements, ex-vocalista do Excel, formação clássica de Venice. O novo gerente também participou da reedição do velho ST, ao lado de Mayorga, Grant Estes e Amery Smith, sob o nome de AgainST.

Mais detalhes da velha skate shop e residência oficial do Muir, abaixo publico o clipe de How Will I Laugh Tomorrow.

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Flashing Pictures – 13 (especial)

Essa é uma sessão de fotos mais do que especial. A começar pelo material em si, simplesmente lendário: comecinho da década de 80 (80? 81?), o Suicidal em ação com Mike Ball na guitarra, Mike Dunnigan na batera, um baixista que eu não reconheci (Andrew Evans?) e, claro, Mike Muir.

Mas não é só isso. Temos também, desta vez, os comentários da autora das pérolas: Zizi Carrot, uma americana, hoje com 48 anos, que se jogou na cena punk californiana há quase 30 anos.

Encontrei essas fotos no perfil dela no MySpace. Pedi para publicá-las no blog e, se possível, uma breve lembrança sobre aqueles tempos. Dois pedidos atendidos que vocês conferem logo abaixo…

“Those early days were so different from today.  People didn’t understand punk rock and the scene was so fresh, dangerous & exciting at the same time.  Normal society was in such post-70’s conformity, so to see a kid with a shaved head was shocking (unless he was in the military, but you could easily tell a “jar head” from a punker).  Early punk rockers looked scary to people, and we were often involved in fights with non-punkers and the police.  Nowadays, if I wear the same attire as back then, I would hardly get a second look–it has become very normal–even my colored hair is no longer “shocking”!

I first met Mike Muir in 1981, when I was attending a gig at the Cuckoo’s Nest in Orange County, California.  He found out that I lived not from him in Venice Beach and asked me for a ride home after the show.  I was a little nervous, having heard about the Muir brothers (as part of the Z-Boy crew).  Mike was very nice and he kissed me goodbye when I dropped him off.

A few months later, some punk friends of mine from Santa Monica took me to see ST play at someone’s garage (maybe Mike Ball’s?) and that’s the color photo I took.  A few weeks later, there was a big punk party at (I believe) the Muir house in Venice and that’s where I took the black & white photos.   I also met fellow skater Jay Adams at this point.  I found Jay to be surprisingly quiet.  He was really cool, as well, and marked up a white shirt with his drawings and gave it to me.  Those were fun times!

Whenever I saw Mike at gigs, he was often involved in fights.  He was a strong young man and usually the aggressor and victor.   No one wanted to mess with Mike

Zizi Carrot”

(TRADUÇÃO LIVRE)

“O início foi tão diferente de hoje em dia. As pessoas não entendiam o punk rock e a cena era tão “fresca”, perigosa e excitante ao mesmo tempo. A sociedade vivia uma conformismo pós anos 70, que ver um garoto com a cabeça raspada era chocante (a menos que ele fosse militar). Os primeiros punk rockers pareciam assustadores para as pessoas, e muitas vezes nós estávamos envolvidos em brigas com os não-punkrockers e a polícia. Atualmente, se eu usar o mesmo traje de antigamente, dificilmente eu ganharei uma “segunda olhada”  – tornou-se tão normal – mesmo o meu cabelo colorido não choca mais.

Eu conheci Mike Muir em 1981, quando eu estava assistindo um show no Cuckoos’s Nest, em Orange County. Ele descobriu (deve ser) que eu não morava longe dele em Venice Beach e me pediu uma carona depois do show. Eu estava um pouco nervosa, tinha ouvido falar sobre os irmãos Muir (integrantes do turma Z-Boy). Mike foi muito legal e me deu um beijo de despedida quando o deixei.

Alguns meses depois, amigos punks de Santa Monica me chamaram para ver o ST tocar na garagem de alguém (talvez de Mike Ball) e essa é a foto colorida que eu tirei. Algumas semanas depois, houve uma festa punk grande na (eu acredito) casa de Muir em Venice e foi onde eu tirei as fotos em preto e branco. Eu também conhecei o skatista Jay Adams nesse dia. Eu achei Jay surpreendentemente tranquilo. Ele foi muito legal, como sempre, e marcou uma camisa branca com seus desenhos e me deu. Foram tempos divertidos!

Toda vez eu que vi Mike nos shows, frequentemente ele estava envolvido em brigas. Ele era um jovem forte e, normalmente, o agressor e vitorioso. Ninguém queria mexer com Mike

Zizi Carrot”.

O baixista desconhecido, Muir, Dunnigan e Mike Ball, em show na casa deste último

O baixista desconhecido, Muir, Dunnigan e Mike Ball, em show provavelmente na casa deste último.

Ball, Muir e Dunnigan. Apresentação na casa dos Muir.

Ball, Muir e Dunnigan. Apresentação no lar dos Muir.

Mais uma vez o trio, agora acompanhado pela rapaziada no pogo.

Mais uma vez o trio, agora acompanhado pela rapaziada no pogo.

O lendário skatista Z-Boy Jim Muir, irmão de Mike, aplicando um corretivo em um moleque

O lendário skatista Z-Boy Jim Muir, irmão de Mike, aplicando um corretivo em um moleque. Atrás, à direita, o nosso baixista desconhecido.

Mike, molecão, flagrando o baixista (Andrew Evans?)

Muir, molecão, flagrando o baixista (Andrew Evans?).

Zizi Carrot, a autora das fotos, em primeiro plano. Destaque (como Zizi fez) para o Mister Blonde Moustache com o goró na mão.

Zizi Carrot, a autora das fotos, em primeiro plano. Destaque merecido para o Mister Blonde Moustache com o goró na mão, à direita.

Reunião em frente ao bar Okie Dogs. O primeiro é Dave Markey, diretor de filmes e clipes que trabalhou com Sonic Youth, Nirvana, Ramones, Black Flag. Muir é o último.

Reunião em frente ao bar Okie Dogs. O primeiro é Dave Markey, diretor de filmes e clipes que trabalhou com Sonic Youth, Nirvana, Ramones, Black Flag. Muir é o último, de luva azul.

Não dá para distinguí-lo, mas, segundo a autora, trata-se de um flagrante de Muir em ação em uma de suas muitas tretas.

É difícil distinguí-lo, mas, segundo a autora, trata-se de um flagrante de Muir em ação em uma de suas muitas tretas. Desta vez, em frente ao Godzilla's.

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Flashing Pictures – 10

Essa foto serve como um resumo do que foi e do que é o ST. Começando por cima, o boné com a aba virada exibindo a marca do Suicidal. Por baixo dele, completando o visual, a bandana, clássica. Muir e suas expressões, sempre insanas, o Papa dos Cycos. Não dá pra deixar de falar do (quase) bigode, estilo latino, que por muito tempo foi curtido por ele e pelo Rocky George. E pra fechar, a peita Dogtown, do irmão Jim, expressando a fusão da música com o skate, relação sempre embalada pela banda. Imagino que seja um registro por volta de 87, fase Join the Army.

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Cinco rolês do ST pelos caminhos do Skate Rock

É com muita satisfação que anuncio a primeira colaboração para o blog. Do amigo Dudu Munhoz, grande fã de ST, ex-baterista da banda curitibana Pinheads (confira aqui o blog com a história do grupo) e, principalmente, um cara que manja muito de rock. Saquem só…

Rolê 1
Jim Muir foi o coração e a raiz do skate em Dogtown. Enquanto os Z-Boys competiam, Muir ficava atrás da cena, confeccionando shapes para os seus colegas. Feitos a mão, as tábuas de Muir eram as melhores, mais leves e resistentes.

Mike e o irmão Jim, parceria skate e música em foto clássica de Glen Friedman

Mike e o irmão Jim, parceria skate e música em foto clássica de Glen Friedman

Em 1976, ele começou a vender seus shapes sob o nome de Dogtown Skateboarding, colocando a marca no mercado. Seu irmão (seis anos mais novo), Mike Muir, levou o nome Dogtown para o mundo da música, com a banda Suicidal Tendencies.

Rolê 2
Sendo simplista, podemos dizer que Skate Rock é a música feita por skatistas ou para skatistas. Nasceu quando músicos que andavam de skate formaram bandas como Agent Orange, Minor Threat, Suicidal Tendencies, Big Boys e T.S.O.L.. Solidificou-se quando skatistas profissionais bastante conhecidos começaram a tocar música: Tommy Guerrero formou o grupo Free Beer, Steve Caballero o The Faction, Tony Alva o Skoundrelz (que contou com Mike Ball, um dos primeiros guitarristas do ST); e assim pipocaram bandas pelo norte da América como Agression, JFA e McRad.

No começo dos anos 80, o skate não estava mais tão vinculado ao surf como na época dos Z-Boys, já tinha vida própria, tinha um estilo, uma atitude, um tipo de roupa e de música preferida. Skatistas gostavam de punk/hardcore e punk rockers andavam de skate por diversão; esta simbiose estreitava os laços do skate com a música suja e rápida que estava sendo produzida na época.

O baixista Dee Dee, dos Ramones, na onda do Suicidal, em 1984

O baixista Dee Dee, dos Ramones, na onda do Suicidal, em 1984

Mas o gênero musical Skate Rock teve seu batismo oficial em 1983 quando Morizen Foche (vocalista do Drunk Injuns e fotógrafo da revista Thrasher também conhecido como MoFo) resolveu lançar o primeiro volume da Thrasher Skate Rock Tapes.

A Thrasher, fundada em janeiro de 81, já tinha consolidado a imagem rebelde, contestadora e “skate and destroy”. Lançando uma fita cassete por ano, a revista divulgava para seus leitores as bandas que de uma forma ou de outra tinham a ver com o skate.

Rolê 3
O vídeo da música Institutionalized (do primeiro álbum, auto intitulado) mostrava pela primeira vez o skate e hardcore na MTV.  Nele podemos ver o ainda imaturo skatista Natas Kaupas já dando uma pista de que seria um dos mais revolucionários de sua geração. Já na segunda versão de Institutionalized, o skate já apareceu de forma mais modesta.

ST e skate, muita coisa em comum

ST e skate, muita coisa em comum

Rolê 4
Mas foi em 1987, no segundo álbum Join the Army, que o Suicidal falou sobre skate de uma forma mais radical. Possessed to Skate é um emblema do skate rock. O vídeo da música também é clássico: um moleque (Mike Muir) aproveita que seus pais viajaram e convida todos os seus amigos para uma session de skate na piscina da casa.

Steve Caballero no clipe de Possessed to Skate

Steve Caballero no clipe de Possessed to Skate

Fácil de visualizar alguns notórios como Eric Dressen, Steve Caballero (com a camiseta  do Misfits), Tommy Guerrero e novamente Natas Kaupas (o colega de Mike na Santa Monica High School, desta vez vestindo um pitoresco shorts rosa).

Rolê 5
Jay Adams, um dos mais influentes skatistas de todos os tempos, foi um dos “suicidal dudes” originais. Era muito amigo de Mike Muir e foi um dos primeiros skatistas à integrar o bando que seguia o Suicidal Tendencies. Vale ressaltar que apenas o baterista Amery Smith realmente foi um skatista entre todos os integrantes do Suicidal.

O skatista Jay Adams, na época em que apavorava com os Cycos

O skatista Jay Adams, na época em que apavorava com os Cycos. Foto: Jennifer Finch

Em uma recente entrevista Mike Muir disse que ele foi a primeira pessoa a sair na capa da revista Thrasher (maio de 1987) sem ser skatista. Entratanto, não é verdade: Glenn Danzig (junho de 1986) e Chris Doherty (da banda Gang Green, fevereiro de 1986) apareceram nas capas da revista em edições anteriores.

A capa da Trasher com Mike

A capa da Trasher com Mike

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Flashing Pictures – 5

Outro promo, da mesma série de fotos do primeiro (logo abaixo). Mas com a marca da Caroline Records, a subsidiária da gravadora Virgin responsável por colocar pela primeira vez o Join the Army nas prateleiras. Parece ser no quarto de alguém. Quem sabe, do Mike Muir, pelos shapes na parede. Imagino que em 87, Jim “The Red Dog”  Muir, irmão do Mike e skatista profissional, já deveria ter a Dogtown Skates, e aí tudo faz sentido.

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Mais uma vez, pinta o garrancho do Louiche Mayorga, destaque da foto, com um sorriso marotaço. Mike e Rocky contidos. Pena que o batera RJ Herrera (dono do estilo chicano mais arisco da banda, como ainda vamos conferir) tenha sumido do registro, graças ao flash utilizado no momento de tirar a foto da foto.

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