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Sábado, 11 de setembro – parte 1

Sábado em Venice, eu e meu camarada Rodrigo Abud aportamos, pontualmente, no endereço da Sunset Avenue. Sem qualquer enrosco, graças ao precioso serviço da Garmin, nossa orientadora via satélite.

Encontramos uma casa de madeira, escondida sob as árvores, meio judiada pelo tempo. Silêncio, nada indica ser ali a sede de um barbecue familiar. Bato na porta e nenhuma resposta. Minutos depois conhecemos Lupita.

Ela nos recepciona e diz que Louichi não se encontra. O anfitrião fora acompanhar o filho mais velho em uma partida de futebol americano. Mesmo assim, insiste para que entremos. Sem jeito, aceitamos o convite.

Cruzamos a porta de entrada, mais uma, e caímos na sala – a bagunça não deixa dúvidas: ali mora uma criança pequena. Passamos pela cozinha e, logo antes da última barreira para o quintal, flagro um velho quadro de fotos recortadas (mais tarde, o objeto ganharia toda a minha atenção).

Vencida uma pequena escada, caímos no backyard e, imediatamente, reconheço o cenário das fotos no Facebook. Espaço recheado, basicamente, por móveis e apetrechos sem uso, além de uma grande árvore. À direita, outra construção de madeira consome toda a lateral. Ao fim, um canil desativado. Nos fundos, mais uma casa.

Invadimos a área e encontramos Kate, esposa de Louichi. Previamente alertada sobre nós, ela faz as honras, saca o celular e informa que, em uma hora, o classic bass player retornaria. Enquanto isso, poderíamos ficar à la vontê.

Na busca por um posicionamento estratégico, esbarramos com o vice-presidente do barbecue, Steve Mayorga. Apresentações feitas, o bróder suicidal lembra da minha figura, em virtude de um contato, sem resposta, via internet. Pede desculpas até. Revela que, na ocasião, estava ocupado fotografando no Havaí.

Irmão mais velho, Steve sempre acompanhou Louichi no ST. Roadie? Responsável pelo merchandise? Segurança? Nada disso. À época, ele  e seu bigode viajaram pela Europa a bordo do ônibus Join the Army no esquema just for fun.

Novamente, somos intimados a beber uma cerveja e relaxar. Foi quando a profecia se realiza. Ainda em solo brasileiro, mandei para o Abud, em um lance otimista: “Se prepare para degustar uma Tecate no churrasco”. Dito e feito. O destaque do isopor é a número dos compatriotas da turma do Brujeria.

Porém, é preciso reforçar o guéri do evento – afinal, chegamos desprevenidos. Prontamente, recebemos orientações sobre a liquor store mais próxima e zarpamos pelo barrio que, um dia, fora palco de tretas sinistras de gangues. Sem demora, voltamos com packs de Tecate e Bud Light. Seguimos o alerta, feito em tom de brincadeira, e agradamos simpatizantes de bloods e crips.

Ambientados, nos resta acompanhar, com empolgação, os costumes chicanos. Àquela altura da tarde, o barbecue é do mulherio e das crianças. À noite, a maloqueiragem tomaria conta.

Cada convidado (irmãos, primos, tios, sobrinhos e chegados em geral) reforça a mesa com um belisco diferente, um mix de nachos, guacamole, hot dogs e brownies para arregaçar a fronteira. Coisa fina, mas coadjuvantes dos preparos incinerados por Bonifacio.

Ardem no inferno pilotado por ele — trajando camisa dos Lakers, boné para trás, bigode e tatuagens pelo corpo, incluindo um arisco LA dos Dogdgers na mão — porções de ribs, steaks, chorizos e traiçoeiras pimentas jalapeños with cheese.

No portátil humilde, rap latino é o som. Depois, um conjunto de Venice soltaria, ao vivo, alguns petardos manjados do rock setentista.

As horas correm e nada do responsável pela abertura de I Saw Your Mommy. Período em que nos aproximamos da rapaziada e treinamos o inglês, reforçando as lendas sobre o Brasil. Até que, on the microphone, vem o anúncio: “Ladies and gentlemen, my brother Louichi Mayorga”.

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Arquivado em ST for Life