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Big Four

Rapaziada, sei que o blog anda meio devagar — pelo menos, em ritmo mais lento do que nos bons tempos. Mas fiquem firmes, é só uma respirada antes do que vem pela frente. E, garanto, ainda teremos boas surpresas por aqui.

Bem, feito o aviso paroquial, aproveito para tratar de um show que vi no último fim de semana. Baixei na internet  o sensacional “Big Four”, turnê capitaneada pelo Metallica que baixou na Bulgária recentemente. E que, além da turma de James Hetfield, contou com nada menos que Anthrax, Megadeth e Slayer!

Simplesmente, a linha mais quente do querido trash metal — naturalmente, não incluo os Cycos nesse balaio. Quatro shows de pauleiragem só com o que interessa, sets curtos e clássicos.

Destaque, claro, para o nosso querido Slayinho.  Sem desconsiderar os shows dos demais, excelentes também.

Tudo bem, mas vocês devem estar se perguntando… “e aí, o que o ST tem a ver com tudo isso?”. Sendo bem rigoroso, nada, exceto pela presença do grande Rob Trujillo dedilhando o baixo.

Mesmo assim, aproveito o ensejo para recuperar as conexões entre as bandas e o Suicidal. Do Metallica já está dito, dá-lhe Trujillão! Do Anthrax, vale rever a turma de NY mandando “War Inside My Head”, antes mesmo do lançamento do Join the Army. Do Slayer, tem esse belo post. E do Megadeth, bem, deles eu desconheço qualquer relação, só sei que sou fãzaço do Rust in Peace.

Para quem quiser baixar em torrent o Big Four, é só chegar AQUI.

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O groove desvirtuou o ST?

Encontrei esse video no fórum do ST. Uma entre com os dois monstros das dedilhadas nervosas, Jeff Hanneman e Kerry King, do Slayer. A partir de 1min35, os dois rasgam elogios ao Suicidal, especialmente para a fase até o disco “Lights, Camera… Revolution!”.

Porém, no meio da resposta, eles lançam uma polêmica que eu acho bem interessante. Segundo a dupla, o Infectious Grooves, banda paralela de Mike Muir, levou o grupo titular do vocalista para o “mal caminho”. Para Hanneman e King, a partir daí o ST ficou desinteressante. “Don’t change!”, eles mandaram.

Sem querer incluir o Slayer na discussão, o que vocês acham?

Eu concordo. E não estou dizendo que isso foi bom ou ruim. Apenas que, de fato, rolou. E aí, claro, a influência do Robert Trujillo foi fundamental.

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Entrevista – R.J. Herrera

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Dos ex-integrantes do Suicidal, R.J. Herrera foi o mais complicado de encontrar até agora. E “complicado” é mesmo a melhor definição, afinal, eu sabia onde o ex-baterista estava, mas não conseguia alcanlçá-lo.

Tudo começou quando encontrei a fera no Myspace, na posição de titular  das baquetas do Horny Toad, banda do também ex-Cyco Louichi Mayorga.  Fiz o tradicional contato pela rede e, depois de alguns dias, recebi o email de Herrera.

Porém, veio a decepção. O endereço estava errado e nada de comunicação. Deixei de lado até que resolvi recorrer ao Mayorga diretamente, e através dele soube que o saudoso batera tinha se mandado para Ohio, para um tratamento médico da esposa dele.

Mais uma vez, vi diminuída a esperança de encontrá-lo. Até que, há pouco mais de um mês, investi novamente pelo Myspace. Mensagem vem, mensagem vai, pintou o telefone celular do Herrera na tela.

Ligo? Não ligo? Liguei, basicamente, para descolar um email correto. No fim, acabei batendo um excelente papo com o baterista da fase áurea do ST. Dez minutos de conversa (a conta ainda não chegou!), naquele inglês danado (porém astuto), sobre os dias de hoje e o passado na banda.

Não preciso nem dizer que foi algo surreal para mim: ter do outro lado da linha, num esquema full-contact, um cara que eu sempre admirei apenas por música, clipes e capas de disco.

Senti que lá da América do Norte, Ralph também curtiu. Há quase 20 anos longe do grupo, pareceu bacana para ele ter novamente o reconhecimento da importância que teve para o Suicidal. Ainda mais no caso de um batera, sempre escondido atrás do instrumento.

Aprumada a entrevista, enviadas as perguntas, ele não demorou a responder. Foi bem sucinto, coisa de quem, aparentemente, não é muito habituado à essas paradas de internet, Facebook, Myspace etc.

Apesar disso, nos deu o suficiente para sabermos por onde anda e, principalmente, que tudo está bem. Valeu mesmo, Chicano-Surf-Skate Style!

Onde você nasceu?
Eu nasci em Santa Mônica (EUA). Estou com 46 anos e  me mudei temporariamente para Ohio, até setembro deste ano.

Como começou a tocar bateria?
Comecei a tocar no 4th grade. Eu sempre me liguei no ritmo e na bateria quando ouvia música quando moleque. As primeiras influências foram, provavelmente, os Beatles, e tudo que ouvia no rádio. Também fui influenciado pelos bateristas Buddy Rich e Carl Palmer (Emerson, Lake e Palmer).

Ao lado de Rocky George, cheio de estilo.

Alguma conexão entre o Suicidal e as gangues de Los Angeles?
Nenhuma conexão. Apenas um monte de fãs e seguidores que se vestiam com Pendletons e bandanas.

Qual o seu melhor momento no grupo?
Foram alguns bons momentos. Enquanto fazíamos shows na Flórida com o Janes Adiction descobrimos que o “Lights, Camera… Revolution” fora indicado ao Grammy. Também tocar em LA no Verizon Amphitheatre após termos sido banidos por um bom tempo.

Com o ST nos bons tempos de "Lights, Camera... Revolution".

Qual a sua música favorita do Suicidal?
Não tenho uma única música favorita. Algumas boas partes de bateria: “Trip at the Brain” e “Lost Again”.

Você introduziu o uso do pedal duplo na banda. Isso contribui para encaminhar o Suicidal para o metal?
Sim, eu passei a usar o pedal duplo. Quando viemos com músicas novas isso simplesmente aconteceu. Eu nunca pensei em escrever coisas “metal” ou “punky”. A música é o que é… Suicidal, eu acho.

Pedaleira dupla logo que entrou para o ST, com Louichi Mayorga.

Por que você deixou o grupo?
Eu fui colocado em uma situação onde ficou desconfortável eu continuar trabalhando com o Muir. Além disso, minha mulher estava grávida do nosso primeiro filho. Muir estava em seu “modo ditador” e eu não iria lidar com isso.

O que você fez depois de deixar o grupo?
Depois de deixar o ST eu fiz alguns discos com o Uncle Slam (que contou também com Amery Smith, Louichi Mayorga, Bob Heathcote e Jon Nelson, todos ex-Suicidal), Beowulf e um projeto paralelo com o Mike Clark chamado Bastion.

Primeiro à esquerda, com o Horny Toad de Mayorga.

Tem visto algum dos ex-companheiros de banda?
Apenas vi o Robert (Trujillo) com o Metallica em outubro, falei com o Clark rapidamente próximo do ano novo, Rocky há algum tempo e toquei com o Louichi no Horny Toad quando voltei para casa.

E o Muir?
Não falei com ele nesses quase 20 anos…

Toparia uma turnê reunindo a formação do período de auge da banda?
Uma reunião com os caras nunca aconteceria por algumas razões. Uma vez que Muir tomou as decisões sobre a “sua” banda, ele nunca volta atrás. Rob está muito ocupado com o Metallica. Eu não sei se todo mundo concordaria com isso se essas reazões fossem possíveis.

Com a filha Devon, Rob Trujillo e o filho Jackson (de xadrez).

O que você tem feito ultimamente?
Atualmente tenho tentado cuidar da minha esposa enquanto ela está doente e ser um bom pai para meu filho Jackson (18 anos) e minha filha Devon (13). Eu tenho escrito alguma coisa e espero gravar logo que possível.

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Flashing Pictures – 20

Fotos de um Flickr chamado Stacia Timonere. O Suicidal no início dos anos 90, nos bastidores de algum show ou festival. Abaixo Mike Muir com uma camisa do ST “sobrevivente”, ao lado de uma reprodução de cera de algum vocalista de heavy metal dos anos 80.

Na sequência, todo mundo reunido. Ou quase, pois não tenho certeza se o cara de camisa preta e boné para trás é mesmo o Ralph Herrera (acho que não). Rocky George de camisa dos Kings, Rob Trujillo de berma xadrez e o Muir portando luvas de malhação.

Para fechar, o dono das fotos com o inesquecível Rocky, com o bonézinho dos Kings um tanto quanto mal ajambrado na cabeça em virtude do crescimento desordenado da cabeleira black.

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Metallicyco!

Depois de lembrar a passagem do ex (ou eterno?) ST pelo país, eis que recebo um relato fantástico sobre o show do Metallica. E, justamente, fazendo a mesma ligação. O camarada  Mauricio Gaudêncio (também ex-Pinheads, como Dudu Munhoz) foi ao Morumbi e conta o encontro improvável entre ele, Robert Trujillo e o Suicidal.

“Fui ao show do Metallica, no Morumbi. Já tinha visto o show deles em 93 e agora estava na hora de conferir mais uma vez. Apesar de eu ser um cara do punk-rock, algumas bandas de metal também influenciaram o meu jeito de tocar bateria. Entre elas, o Metallica.

Coloquei minha camiseta do Suicidal Tendencies, uma das minhas bandas favoritas. Camiseta comprada em 91, da turnê do disco Lights Camera Revolution, época em que o Robert Trujillo estava começando oficialmente no Suicidal. Perdi esse show, por alguns dias, quando estava em viagem pelo Canadá — só fui ver o ST pela primeira vez em 94.

Excursão curitibana para o Monsters -- Mauricio com a camisa do ST e, logo abaixo, Dudu Munhoz.

Cheguei ao show e tive muita sorte em conseguir um lugar bem na frente, na grade, no canto direito do palco. No caminho, alguns estranhavam a camiseta, afinal, o uniforme oficial era camiseta do Metallica. Mas entendiam a homenagem.

O show foi muito bom. Som excelente. Eu tinha ficado do lado oposto ao Trujillo, mas às vezes ele e o Kirk invertiam de posição. Essa foi a minha sorte.

No último intervalo, o James pediu que acendessem as luzes do estádio para eles verem a platéia. Nisso o Trujillo deu uma olhada e viu a camiseta do Suicidal. No fundo, era essa a minha intenção desde o início, mas devido a proporção do show, não acreditava que fosse acontecer.

Então ele apontou pra mim, visivelmente surpreso. Demorei um segundo pra ter certeza que era comigo mesmo o contato. Ergui a estampa da camiseta e ele confirmou com um sinal de heavy-metal com a mão. Minha namorada flagrou o exato momento com uma foto.

Trujillo celebrando as origens ao perceber a camisa do ST.

No final do show, o Trujillo jogou palhetas e eu peguei uma dele e outra do Kirk. Apesar de ele tocar com os dedos, tem uma palheta personalizada com o desenho de uma cabecinha voodoo com a cara dele e do outro lado escrito RxTx. O “x” no lugar do “.” comprova… ele é STILL CYCO”.

As palhetas do agora baixista do Metallica. Um pouco de voodoo e uma lembrança aos Cycos.

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Trujillo na área!

Enquanto o ST não volta ao solo brasileiro — e na esperança que um dia isso aconteça com a formação “anos 90” –, vamos curtindo a passagem do grande Robert Trujillo pelo país na turnê do Metallica. Já rolou show em Porto Alegre, ontem teve o primeiro em São Paulo e hoje à noite acontece o último no Brasil, também em Sampa.

Trujillo em Porto Alegra, na última quinta-feira.

É engraçado ver o Trujillo consolidado, definitivamente, em uma banda de metal. Afinal, o cara sempre mostrou ser um baixista de muito suingue, condição explorada abertamente só no Infectious Grooves. Falando nisso, certamente ele exerceu forte influência sobre Mike Muir para levá-lo por outro caminho que não o do ST.

O ex-ST em São Paulo, no sábado. À frente, James Hetfield.

No Suicidal, a fera Roberto Agustin Miguel Santiago Samuel Trujillo Veracruz adicionou pouco dessa pegada groove. Mais claramente, rolaram somente uns slaps em uns solinhos rápidos em Send Me Your Money, do Lights Camera, na regravação de I Saw Your Mommy para o Still Cyco, creio que ficou por aí.

Depois de participar do Lights, do The Art of Rebellion e do Suicidal For Life, além do Still Cyco, Trujillo tomou seu rumo após a dissolução dos Cycos na segunda metade dos anos 90. E acabou entrando na onda mega do Metallica em 2003.

Abaixo o video da audição e contratação dele pela banda, parte do documentário Some Kind of Monster. Detalhe para quando o batera Lars solta essa: “Para mostrar que nós estamos levando a sério, te oferecemos 1 milhão de dólares”.

Boa proposta, não?

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Posters – 4

Mais um poster do ST fase Lights, Camera… Revolution! Formação preferida da maioria dos fãs, com George, Clark, Muir, Herrera e Trujillo. Boa pose em algum pico de Los Angeles, com a cidade ao fundo. Destaque (sempre ele), para a regata (ou camisa cortada) do batera, com o símbolo da Dogtown, marca de skate de Jim Muir, irmão de Mike e um dos integrantes  dos Z-Boys, lendária turma de skatistas.

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